Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 01/07/2020

No período clássico grego, a corrente filosófica humanista, com Aristóteles, credenciava, entre os motivos para a vida em sociedade, a valorização do bem comum em detrimento do individualismo. Díspar a essa máxima, contemporaneamente, em outro contexto social-ideológico, o cenário da saúde pública brasileira escancara suas dificuldades no controle de epidemias pela exaltação do individualismo e a inação do mecanismo estatal. Sob esse viés, faz-se imperioso destrinchar os fatores da problemática a fim da solução.

Em primeiro plano, é notória a expansão da crise ética brasileira veiculada pelo egoísmo social, geradora, por conseguinte, da precarização do quadro epidêmico. Para alicerce, é interessante ressaltar a origem dos ideais individualistas no fim da tradição gentílica grega, processo que originou a ideia de propriedade privada em decorrência da superpopulação, e forçou a migração. Atualmente, o fato contribuiu para uma ideologia centrada no bem pessoal, que independe das consequências àquilo fora de uma determinada bolha. Porém, a contribuição reflete no coletivo social como um todo, tal qual a violação de quarentenas infere no aumento do número de óbitos.

Em segundo lugar, é observável, como um fator, a fragilização do imaginário popular para com a saúde, provido da desvalorização estatal da ciência. Para análise, é valido salientar a máxima do filósofo Slavoj Zizek: “o fato de não fazer nada não é de todo vazio, mas tem um significado.”. Desse modo, sob a perspectiva do esloveno, há significação à maléfica inação quanto ao investimento em saberes naturais por parte dos governos, na qual centra-se a bestialização de massas a fim do reforço do darwinismo social (ideologia embasada na superioridade dos privilegiados sociais). Logo, em decorrência disso, por falta de instrução em situações epidêmicas, tem-se a ignorância como base do descontrole, havendo,  por assim, a necessidade de intermediação.

Dado os expostos, urge que mitigue-se os entraves para o combate de epidemias no Brasil, começando com uma ação conjunta do Ministério da Saúde e suas secretarias com a Sociedade Responsável para inalienar o meio social-político de ideologias individuais. Para que efetive-se, tal ação será proposta por meio de campanhas que promovam uma revisão de valores éticos em tempos epidêmicos, que se utilize da acessibilidade para se democratizar. Então, a partir disso, afirmem o adormecido desejo do bem comum de todos os viventes de uma sociedade, proposto por Aristóteles séculos atrás.