Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 20/04/2020

A Hidra de Lerna, criatura mitológica grega, possui várias cabeças de serpente que se regeneram. Todavia, os guerreiros desprovidos de tal informação, ao enfrentá-la cortavam suas cabeças, que tornavam a crescer, porém em dobro. Sendo assim, ao invés de ser aniquilado o monstro se tornava mais letal, o mesmo ocorre no cenário hodierno, no qual a falta de informação atrelada aos déficits infraestruturais contribui diretamente para a disseminação de epidemias dentro do território nacional.

É sabido, que a lacuna reservada à conscientização, quando não é preenchida por essa, passa a ser ocupada pela ignorância. De maneira análoga, quando a população não recebe as devidas orientações sobre determinada doença, ocorre a síntese de teorias errôneas e sem fundamentação científica, que passam a circular, e contribuem para a propagação da enfermidade. Tal fato, pode ser observado através de uma rebelião popular brasileira conhecida como Revolta da Vacina, da qual, os adeptos se demonstravam veementemente antagônicos à vacinação contra a varíola, pois acreditavam que essa, pudesse lhes causar algum mal ou até mesmo a morte, juízo esse, resultante da ausência de uma campanha conscientizadora sobre o novo método sanitário. Logo, o pensamento proposto por Sócrates, referente a existência de um único bem, o saber, e um mal, a ignorância, demonstra sua autenticidade.           Paralelamente, a escassez de investimentos na saúde por parte do Estado é notória e se corporifica por meio da carência infraestrutural. Esta situação, é demonstrada através de dados do Banco Mundial no final de 2018, de que 3,8% do PIB brasileiro são destinados a saúde pública, percentual abaixo da média mundial, de 11,7%, proposto pela OMS. Consequentemente, ocorre a difusão dos desafios a serem enfrentados no âmbito estrutural, como a falta e obsolescência de equipamentos assistenciais, deficiência no número de unidades de atendimento e leitos, corroborando para sucessão da superlotação, como apontou o Tribunal de Contas da União em 2014, indicando que 64% dos hospitais estão sempre superlotados. Assim, se normalmente diversas dificuldades são confrontadas durante a prestação de assistência aos pacientes, em momentos de crise, como epidemias, tal fenômeno se agrava.

Portanto é indubitável a parceira entre o Ministério da Saúde e o MCTIC, para o desenvolvimento de campanhas informativas, que visem sanar dúvidas sobre doenças epidemiológicas, por meio de panfletos, blogs, mídias sociais e meios de comunicação em massa. Assim como, o maior investimento do Governo Federal nesta área por meio do PIB, e a criação de leis de incentivo fiscal a empresas de materiais hospitalares e de construção, pelo Poder Legislativo, para que essas destinem determinada porcentagem de sua produção a saúde pública. Objetivando a superação dos desafios apresentados, de modo que ocorra a melhora do atendimento em ocasiões epidêmicas, e enfim a Hidra tupiniquim seja exterminada.