Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 21/04/2020

“É assim que o mundo acaba, não com uma explosão, mas com um errante.” a frase citada encontra-se na série “The Walking Dead” que se contextualiza em um cenário apocalíptico após um vírus letal, onde um erro pode levar ao caos. Visto isto, o Brasil precisa estar preparado para epidemias, porém, nessa perspectiva, a saúde pública enfrenta desafios tanto em seu despreparo como na dificuldade de conscientização nas diversas camadas sociais

Precipuamente, é fulcral pontuar que a dificuldade da conscientização do povo brasileiro relacionada à prevenção de doenças não é um problema atual, como pode-se observar em 1904, onde o governo tinha a intenção de erradicar o vírus da varíola, porém, os meios utilizados para a vacinação foram violentos e invasivos, além de demolirem moradias para evitar as aglomerações, gerando inconformismo na população e originando a Revolta da Vacina. Hodiernamente, 30% da população não tem acesso a internet, sendo sujeita a desinformação, em contraponto, os outros 70% estão expostos à falsas notícias, visto que houve uma queda na vacinação de crianças até um ano de idade, como o caso da poliomielite que de 101,3% em 2011 caiu para 86,3% em 2018, o mesmo ocorre com o sarampo, caxumba, tuberculose e rubéola, de acordo com o Ministério da Saúde. Percebe-se então, a falta de comunicação e campanhas por parte da Saúde pública e Estado em relação a sociedade.

Na sequência, de acordo com o artigo 196 da constituição federal de 1988, afirma que “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação.” porém, um levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina sobre o número de leitos na UTI, revela que a distribuição desses pelo Brasil traz preocupação, pois menos de 10% das cidades do país possuem leitos, e de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimento e Saúde, apenas 49% dos leitos estão presentes no SUS, o resto permanece na rede privada, a qual apenas 23% da população tem acesso, acentuando a desigualdade perante a acessibilidade. Visto isto, a teoria escrita na constituição precisa ser colocada em prática para solucionar a situação da problemática.

Dessarte, com o intuito de mitigar o despreparo, o Ministério da Saúde deve urgentemente, por meio do Tribunal de Contas da União, direcionar capital para a construção de leitos no SUS, juntamente com a colaboração da rede privada, para atender a maior demanda populacional. Ademais, propõe-se campanhas no ambiente escolar e na mídia, promovidas pelo MEC e realizadas por professores e médicos viabilizando a conscientização, evitando erros para o melhor funcionamento da sociedade.