Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 05/05/2020
A campanha de vacinação de 1975 contra a meningite no estado de São Paulo (SP) é considerada uma das maiores da história do país. 93% da capital foi vacinada em um decorrer de quinze dias, diminuindo drasticamente os casos da epidemia da doença que assolou o estado naquela década. Nesse sentido, epidemias são um verdadeiro empecilho na manutenção da saúde pública, e para controlá-las, é necessário o bom funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) do país, além da conscientização da população em geral.
Sob essa perspectiva, a Constituição de 1988 estabeleceu o SUS ao defender um sistema de saúde gratuito, acessível e de qualidade, e essas características são imprescindíveis, principalmente no meio de uma epidemia, para acolher toda a população e evitar um possível caos. Entretanto, ao contrário do estabelecido na Constituição, o que se vê na maioria dos hospitais públicos é superlotação e falta de medicamentos, leitos e profissionais. Tamanha precariedade na infraestrutura torna o sistema inapto para lidar com epidemias, estando suscetível à uma possível sobrecarga. Assim, é necessário um investimento maior no setor de saúde pública.
Além disso, conscientizar a população à tomar medidas preventivas é essencial para diminuir a incidência de casos, além de evitar um cenário caótico. Nesse contexto, a epidemia de meningite da década de 1970 havia começado anos antes da campanha de imunização, mas ela foi acobertada pelo governo pelo receio de despertar pânico da população. A conscientização acerca da doença só começou quando a taxa de mortalidade chegou na casa dos 70% em hospitais gerais de SP. Infelizmente, a situação hodierna mostra que nada foi aprendido com o passado, visto que, diante da pandemia da COVID-19, o presidente Jair Bolsonaro insiste em se encontrar com aglomerações de apoiadores, atitude essa contrária às recomendações da Organização Mundial da Saúde. Logo, se faz muito necessário que o governo instrua a população à agir frente à epidemias, para evitar situações como a da meningite em 1970 e a da COVID-19.
Portanto, lidar com epidemias da maneira correta é fundamental para impedir potenciais catástrofes. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde melhore e expanda a infraestrutura dos hospitais públicos através de programas elaborados com ajuda de profissionais especializados em Gestão da Saúde, a fim de evitar o colapso do sistema em caso de epidemia. Além disso, é importante que os governos estaduais aumentem mais a conscientização a respeito de doenças e possíveis epidemias através de propagandas na televisão, com o objetivo de instruir a população do seu papel no enfrentamento de surtos e epidemias. Assim, a situação ficará sob controle.