Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 07/06/2019
Durante a Idade Média, uma epidemia de Peste Negra, doença transmitida por ratos infectados, dizimou mais de 25 milhões de pessoas na Europa devido à falta de conhecimento da população e da medicina em relação à doença. Entretanto, em pleno século XXI, a desinformação dos cidadãos brasileiros e as insuficientes medidas preventivas por parte da população ainda são um grande desafio a ser ultrapassado na saúde pública.
A priori, a ignorância da população em relação à imunização artificial fomenta o aumento no número de epidemias no país. Em 1905, houve no Rio de Janeiro uma enorme revolta populacional devido à obrigatoriedade da vacina contra a varíola, uma vez que esses cidadãos desconheciam os efeitos da aplicação da injeção e facilmente acreditavam em boatos mentirosos a respeito dessas consequências. De maneira análoga, nos últimos anos, o movimento antivacina cresce globalmente e, em menor proporção, avança pelo Brasil e justifica sua aversão às vacinas com os seus efeitos colaterais e à suposta ausência de necessidade de vacinação contra doenças já erradicadas. Enfim, é necessária a monitoração dos avanços deste movimento nas redes sociais brasileiras, tendo em vista que ele pode resultar no retorno de doenças já erradicadas como a poliomielite, cujas taxas de imunização caíram mais de 15% entre 2013 e 2016, segundo dados do Ministério da Saúde.
Ademais, a insuficiência das medidas de prevenção pela população é outro obstáculo a ser ultrapassado pela saúde pública. Conforme o poeta Cazuza, “eu vejo o futuro repetir o passado”, pois, assim como durante a Idade Média a enorme quantidade de lixos e excrementos jogados pelo próprio povo nas ruas favoreceu a proliferação de ratos e o contato da população com as pulgas que causavam a Peste Negra, os atuais terrenos abandonados são enormes depósitos de água parada e, logo, excelentes locais para a reprodução do mosquito transmissor da dengue – cuja taxa de ocorrência cresceu no meio urbano –, e a grande quantidade de resíduos sólidos que ainda é jogada pelas pessoas nas ruas entope bueiros e facilita a ocorrência de enchentes e o contato dos cidadãos com excretas de ratos e, desse modo, favorece a ocorrência de leptospirose, cólera, tétano e dengue.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Urge que o Ministério da Saúde forneça subsídios para que as Prefeituras Municipais iniciem uma campanha publicitária que seja exibida em nos canais abertos de televisão e divulgada nas estações de rádios com o objetivo de desmentir rumores mentirosos em relação à imunização artificial que circulem nas redes sociais, além de propagar eficientes métodos de prevenção de doenças que possam ser realizados pelos cidadãos, a fim de impedir o avanço do movimento antivacina e iniciar o combate contra epidemias antes de qualquer situação de emergência.