Desafios do sistema de segurança pública no Brasil

Enviada em 24/07/2018

Educar para assegurar

Na visão materialista dos acontecimentos ao longo da história, as relações foram marcadas pela desigualdade e luta de classes. Assim, considerando que a violência e a desordem, são, em parte, frutos dessa desigualdade social; cabe analisar como as medidas agressivas paliativas e a falta de políticas em prol da educação são desafios polêmicos que colocam em pauta a funcionamento do sistema de segurança pública brasileiro.

Em contexto, a dificuldade em manter uma estabilidade social gera a necessidade de um artifício de controle para garantir a liberdade individual. Entretanto, como na realidade brasileira representada no longa Cidade de Deus, o uso recorrente e único de armas de fogo revelam a ineficácia em garantir a proteção da população, por conta das atitudes agressivas e muitas vezes desumanas. Ademais, como nas palavras de Rousseau, pelos mesmos caminhos não se chega aos mesmos fins, é preciso mudar e buscar inspirações como a Islândia e a Dinamarca, que, reconhecidas pela união de pacificidade e desenvolvimento, mostram que violência e segurança são sempre inconciliáveis.

Para tanto, a falta de acesso à escola e a  precariedade do ensino público em todo país, e essencialmente nas periferias, põe em risco a infância e juventude, aumentando os índices de marginalização e consequentemente acarretando problemas para ordem no país. Não obstante, Rousseau ressalta que o homem é produto do seu meio. Logo, sendo o meio um local de ausência de educação e de incentivo a criminalidade, as chances de mudança de um quadro social instável  se tornam cada vez mais difíceis, e pedem com urgência uma alternativa que vise primordialmente à educação e a formação dos brasileiros.

Portanto,  apesar do pessimismo do pensamento materialista sobre a história, é indiscutível que as intervenções federais são medidas paliativas extremas que devem ser optadas somente em último caso. Dessarte, como já dito, a educação é primordial e sendo um dever do Estado, o Ministério da Educação, por meio de políticas públicas, deve garantir o acesso a educação de qualidade aos lugares mais carentes. Além disso, o Ministério da Cultura, em parceria com ONGs, deve organizar programas de incentivo à cultura, para estimular e proporcionar a população o contato com o diferente e a arte. Dessa maneira, com alternativas de vida para o cidadão, que a realidade da Islândia poderá ser realidade também do Brasil.