Desafios do sistema de segurança pública no Brasil
Enviada em 10/06/2018
No século XX, na cidade do Rio de Janeiro, o autor Lima Barreto ao escrever a crônica “Vida Urbana” antecipava-se ao tratar da violência e os efeitos desta no cotidiano das grandes cidades brasileiras. Décadas mais tarde, tal situação torna-se cada vez mais habitual, nos grandes e médios centros do país, sendo impulsionada pelo despreparo das forças de segurança pública nacionais, o que gera por consequência, uma crescente sensação de insegurança por parte dos cidadãos.
É importante salientar, de início, que as forças policiais do país, em sua maioria, não recebem o tratamento digno, o que reflete na pouca segurança pública oferecida. Além de receberem treinamentos, por vezes, incompletos, esta classe vem sendo constantemente marginalizada em termos salários e sequer tem à disposição as ferramentas necessárias para a execução eficaz dos seus postos, o que vai de encontro ao importante papel que desempenham na sociedade. Dessa maneira, tal descaso para com esse setor fomenta comportamentos antiéticos por parte de alguns profissionais, como a aliança com o crime organizado dentro de presídios ou comunidades, o que, paradoxalmente à sua função, agrava a violência, já sem controle, no país.
Por conseguinte, esse fator, associado à morosidade do sistema judiciário, deixa a população assolada por um sentimento de impunidade, levando os cidadãos à requererem justiça com as próprias mãos. Esse tipo de violência valorada influenciada até mesmo pela mídia, entretanto, não é recente, e desde os tempos da Babilônia pode ser comprovada; o código de Hamurabi, criado na época em questão, dizia que os culpados por determinados crimes deveriam ser punidos de forma semelhante às suas vítimas. Similarmente à Babilônia comporta-se a sociedade atual na qual, dada a ineficácia dos agentes responsáveis, a população civil busca alternativas, aparentemente legitimadas, de salvaguarda tanto do indivíduo, quanto da propriedade privada.
Fica evidente, portanto, que o descaso com a segurança pública resulta na precariedade do Estado. Nesse viés, ressalta-se a frase do poeta Jim Morrison; “A maior obscenidade que conheço é violência.” Atrelado a isso, faz-se necessário, primeiramente, que o Governo invista na proteção da sociedade, disponibilizando verbas voltadas a compra de materiais bélicos, aumento dos efetivos policiais e reestruturação dos sistemas penitenciários. Não somente, como também, investir no ensino das escolas públicas, aprimorando os conhecimentos dos alunos com projetos educativos. Assim, no decorrer da história mudanças poderão ocorrer, revolucionando a questão da segurança para gerações futuras.