Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 20/10/2021
Como retratado no filme “A menina que roubava livros”, a personagem tem sua vida transformada em diversos aspectos ao começar a se tornar uma leitora frequente. Em vista disso, o hábito da leitura trás consigo diversos benefícios, seja no enriquecimento de repertórios, criação de senso crítico e redução do estresse. Entretanto, por mais que a prática seja muito positiva, ainda enfrenta diversos problemas no Brasil, seja pela elitização dos livros, que dificulta o acesso do povo aos mesmos, bem como a falta de incentivo que conectam a leitura à um aspecto entediante e desagradável.
Nesse cenário, é garantido no artigo 6° da Constituição Federal, direitos fundamentais, que garantem a dignidade, entre eles, o acesso à cultura e ao lazer. O que, na prática, é pouco efetivo, pois a dificuldade e elitização do acesso aos livros se faz cada vez mais presente no país. Como, por exemplo, na discussão sobre a taxação sobre as obras, abordada pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, que trouxe consigo a justificativa, da Receita Federal, de que as classes sociais mais baixas não lêem, então seria mais lucrativo voltar esses recursos para outros programas de governo.
Além disso, sabe-se que a leitura é fundamental para criar um senso crítico, sendo instrumento de ensino e posicionamento. E ainda mais, como constatado, pela Universidade de Sussex, na Inglaterra, de que 6 minutos de leitura diária aliviam o estresse e a tensão. No entanto, a média anual de livros por habitantes no Brasil, segundo pesquisa “Retratos da Literatura no Brasil”, é de 4,96, dos quais apenas 2,43 são concluídos. Podendo citar que menos de um terço das escolas públicas contam com biblioteca, segundo a mesma pesquisa.
Ademais, muitos brasileiros afirmam ter falta de paciência ou ler em um ritmo muito lento, como empecilhos pela falta da prática de leitura, citados por 24% e 20% dos entrevistados, respectivamente, ainda na pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. Assim, reforçando a ideia de que a falta de formas de incentivo à leitura leva às pessoas cada dia mais deixarem de lado esse hábito, o associando a um aspecto maçante e enfadonho, provocando constante esquecimento e apagamento de grandes autores e obras.
Em suma, por mais que possua muitos benefícios, o acesso aos livros está cada vez mais restrito e elitizado, assim como a prática diária da leitura, levando à um grande esquecimento cultural de autores e obras. Sendo assim, é imprescindível que o governo, por meio do Ministério da Educação, invista na construção e manutenção de bibliotecas, principalmente nas escolas públicas do país. Bem como, campanhas de incentivo aos textos literários, em rodas de conversa nas comunidades, visando atingir o maior público possível, para que assim, o povo brasileiro crie o hábito desde a infância.