Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 17/01/2021
A aclamada obra “A Menina que Roubava Livros” apresenta a história de Liesel Meminger, uma órfã de 9 anos que lutava para sobreviver na Alemanha nazista após perder a família, adotada por um casal alemão. Mesmo já estando em idade escolar, Liesel não era alfabetizada, sendo parte da trama do livro suas dificuldades e todas as barreiras enfrentadas por ela em consequência desse atraso. Assim como Liesel, muitos jovens brasileiros não são alfabetizados em idade adequada, o que traz consequências muito negativas para seu desenvolvimento, sendo a culpa, na maioria das vezes, da falta de acesso e negligência do governo, quando condições financeiras adequadas não são oferecidas às famílias.
De acordo com o artigo 6º da Constituição Federal de 1988, é direito de todo brasileiro ser alfabetizado, mas essa não é a realidade, uma vez que, de acordo com a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), cerca de 34% dos alunos do 3º ano do ensino fundamental, não apresentam resultados satisfatórios referentes à leitura e escrita. Como explicação, o autor Gilberto Dimenstein apresenta em seu livro “Cidadão de papel” a grande realidade vivenciada no Brasil: leis muito bem elaboradas no papel, mas que não são postas em prática de maneira eficaz, que é o caso da promessa constitucional de qualidade na educação, que por mais que seja assegurada por lei, não há recursos disponíveis nas escolas para que a alfabetização seja efetiva e assegurada.
Continuando com o conceito apresentado por Gilberto Dimenstain, a Constituição também promete à todo brasileiro moradia e alimentação, mas esse cenário não passa de uma utopia, uma vez que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, cerca de 8,8% dos jovens entre 15 e 17 anos estavam fora da escola, e um dos principais motivos era a necessidade imediata de gerar renda. Essa percepção de que deixar a escola para trabalhar é aceitável, acompanha a humanidade desde muito tempo, visto que, nos princípios da colonização do Brasil eram apenas as famílias ricas que tinham oportunidade de oferecer à seus filhos educação adequada, e esse costume está enraizado na sociedade menos favorecida até os dias atuais.
É evidente que muito tem a ser feito pela educação do povo brasileiro, e um bom começo para isso é a amplificação de uma iniciativa do governo já existente, o projeto Jovem Aprendiz, que disponibiliza vagas de emprego para jovens em idade escolar, mas que precisa de ajustes. Cabe Ministério da Educação em parceiria com o Ministério do trabalho, e auxilio do poder legislativo, criar uma lei que obriga empresas, públicas e privadas, a aumentarem o número de vagas de trabalho para jovens, visando suprir as necessidades financeiras dos mesmos sem privá-los do seu direito constitucional de estudar.