Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 15/01/2021
O documentário “Nunca me sonharam” retrata o cenário do ensino público brasileiro e questiona o papel da escola na formação dos jovens, destacando a importância da educação e os desafios que atingem quem está envolvido nessa realidade. Sob essa mesma perspectiva, no entanto, é possível afirmar que a alfabetização é essencial para a construção de um indivíduo, porém é constantemente negligenciada no país em razão do déficit educacional enraizado e do descaso estatal.
A princípio, segundo o artigo 205 da Constituição Federal, a educação é um direito de todos os cidadãos e dever do Estado e da família. No entanto, é viável considerar que mesmo com a garantia constitucional a alfabetização não é acessível a muitos indivíduos brasileiros. Dessa forma, de acordo com um levantamento realizado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), cerca de 11 milhões de brasileiros não sabem ler e escrever, confirmando a falta de priorização da educação no país. Logo, impactos a longo prazo, como a ausência de opinião própria em transformações sociais, o desemprego e a desigualdade, serão cada vez mais frequentes no corpo social.
Outrossim, é necessário salientar que as iniciativas governamentais são insuficientes para promover a importância da alfabetização no Brasil. Desse modo, regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos ainda são afetadas com a falta de infraestrutura básica, como saneamento, luz elétrica e, consequentemente, unidades escolares funcionais. Assim, é evidente que o acesso ao ensino não é democrático, pois pressupõe a entrada dos estudantes na escola na idade correta. Ademais, segundo filósofo Schopenhauer, os limites de campo de visão de um indivíduo determinam seu entendimento sobre o mundo. Portanto, nota-se que a ausência de engajamento popular prorroga a problemática , já que a sociedade não consegue identificar os benefícios da educação e da diminuição do anafalbetismo.
Em suma, torna-se necessário agir para que esse impasse seja resolvido. Destarte, o Ministério da Educação, por meio de verbas públicas, deve investir em projetos com a finalidade de construir escolas em zonas rurais e mais precárias, para que desde os anos iniciais letivos seja desenvolvido a construção social e intelectual dos indivíduos. Além disso, o poder executivo deveria efetivar ações que apoiem a importância da alfabetização, com o objetivo de diminuir o analfabetismo funcional no país e estimular a população a priorizar a necessidade de possuir senso crítico. Dessa maneira, o direito à educação, deturpado à população, seria mais praticado.