Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 15/01/2021

O surgimento da escrita entre os sumérios é considerado pelos estudiosos como o início da História esse fato demonstra como o registro de signos linguísticos é essencial para o desenvolvimento cultural e tecnológico, uma vez que até os sinais enviados para o espaço em busca de vida possuem caracteres a serem lidos. Contudo, muitos ainda não conseguem ler simples palavras como é o caso de vários brasileiros incapazes da leitura e da escrita. Por essa razão, o analfabetismo no Brasil é, ainda, uma mazela social a ser erradicada para que os excluídos desse processo educacional exerçam cidadania, permaneçam mais tempo na escola e consigam, utilizando os benefícios da instrução básica, alcançar mobilidade socioeconômica, transformando sua condição social.

A princípio, é preciso salientar que a alfabetização é um indicativo de desenvolvimento de um país, pois denota o grau de autonomia intelectual dos cidadãos dessa nação. Nesse contexto, o índice é importante para o Brasil, uma vez que o Estado só começou a oferecer a educação gratuita no século XX e, de modo geral, as classes mais abastadas sempre viram na negligência de ensino aos mais pobres uma manuteção da dominação econômica pela exploração da ignorância. Assim, a evasão escolar, muitas vezes motivada pela necessidade que o aluno carente tem de trabalhar, perpetua sua condição menos favorecida, configurando um ciclo de opressão, o qual demonstra o elo entre analfabetismo e classe social.

Em outro aspecto, nos seus escritos sobre educação libertadora, Paulo Freire defende que aprender a ler deve extrapolar a mera acumulação de conhecimento e ser uma via ativa de mobilidade social que fomente, nos alunos, o pensamento crítico. Nesse sentido, apenas conectar palavras é inócuo se não houver a interpretação transdisciplinar do que está sendo enunciado, além do desejo, pelo leitor, de participar dos processos sociais que ocorrem a partir da formação educacional. Desse modo, a alfabetização beneficia não só o estudante, mas toda a sociedade brasileira, ao incrementar  a cultura e a ciência, melhorar as relações interpessoais e diminuir as desigualdades socioeconômicas.

Diante disso, é patente reconhecer a necessidade de uma alfabetização completa e universal. Para este intento, cabe ao Governo Federal e a empresas privadas de ensino (universidades e colégios) realizar um programa nacional de tutoria para alfabetização em que cada voluntário adote um aluno para ministrar aulas em encontros, sendo que insenções fiscais gestarão recursos que beneficiem a continuidade do estudo de ambos os envolvidos. Desse forma, além do aprendizado, haverá intercâmbio de vivências e ideias entre classes distintas. Afinal, apenas com a participação de todos, a humanidade continuará seu progresso como civilização para além da escrita.