Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 08/01/2021

A Constituição Brasileira - norma de maior vigor no país - assegura que a educação deve ser incentivada e promovida igualitariamente na sociedade, de modo a visar o pleno desenvolvimento do cidadão e seu preparo para o Mercado de Trabalho. Entretanto, os índices de analfabetismo no Brasil expressam o reflexo da escassa efetividade desse direito. Dessa maneira, a desmotivação de alunos e professores nas salas de aula, bem como a evasão escolar configuram desafios que permeiam o processo de alfabetização no país.

A priori, os baixos salários e as precárias condições de ensino nas instituições públicas do Brasil fomentam as dificuldades para que haja uma educação plena e de qualidade para a população. Nesse contexto, de acordo com o sociólogo brasileiro Darcy Ribeiro - especialista em questões educacionais - há, nas escolas do país, um “Pacto de Mediocridade” entre professores e alunos. Destarte, os professores, por causa dos limitados incentivos e acerbada desvalorização profissional - não se sentem motivados a ensinar, assim, os alunos, também, não são instigados a aprender. Dessa forma, os ínfimos estímulos que permeiam a educação no Brasil são determinantes para o agravamento do desafiante processo para estabelecer uma alfabetização ampla e qualitativa a todos.

Ademais, as disparidades socioeconômicas presentes em diversos núcleos familiares, aliada aos escassos encorajamentos quanto a importância educacional, promovem a evasão escolar, agente que maximiza os entraves da alfabetização no país. Nesse cenário, o livro “Corte de Espinhos e Rosas”, escrito por Sarah Maas, mostra as dificuldades da jovem Feyre em conciliar estudos e trabalho para ajudar na renda familiar, tendo que, por fim, abandonar a educação. Assim, a realidade socioeconômica da menina reflete diretamente em seus estudos e a impede de ser alfabetizada. Logo, a evasão escolar vivenciada por Feyre representa o panorama vivenciado por inúmeros jovens analfabetos brasileiros.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações interventivas a fim de minimizar os desafios que permeiam o processo de alfabetização no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, promovam, com alunos e professores, nas salas de aula, práticas relacionadas à importância da educação para a construção do indivíduo. Dessa forma, por meio de palestras e oficinas que visam a motivação e estímulo nas escolas, o desafiante analfabetismo no Brasil será, gradativamente, combatido. Ainda, a partir do estabelecimento de uma Lei pelo MEC, que aumente o salário dos professores da rede pública por meio do remanejamento de verbas educacionais, a valorização desses profissionais será, por fim, maximizada. Espera-se, que com essas ações, o Brasil possa, finalmente, assumir seu papel de pátria educadora como consta a Magna Carta.