Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Na obra “A revolução dos bichos” de George Orwell, os animais reunidos após a revolta contra o ser humano que os dominavam reparam que a alfabetização é o principal meio para o conhecimento, autonomia e autosustento dentro da granja onde viviam. Não muito distante da ficção, ao se observar o caráter excludente do acesso à alfabetização no Brasil, é notório que essa condição não tem sido considerada no país, prejudicando a dignidade humana dos indivíduos analfabetos e aumentando a desigualdade de classes. Nesse sentido, pode-se afirmar que a negligência governamental e a abordagem tomada diante ao problema agravam essa situação.
Convém ressaltar, em primeiro lugar, que o problema advém da omissão do Estado às classes mais baixas e periféricas do país. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a educação é um direito da criança, visando a sua formação pessoal e civil, preparando também para o mercado de trabalho. Sob esse viés, é possível considerar que a educação é o princípio essencial para a construção do senso crítico e de condição básica para a sobrevivência em um mundo globalizado. Dessa maneira, ocorre a exploração em termos jurídicos de uma parcela dos indivíduos analfabetos, eliminando de uma parte da população a possibilidade de adquirir bens ou direitos trabalhistas, visto que para assinar qualquer documento é necessário a leitura e a escrita.
Outrossim, inegavelmente, o analfabetismo no Brasil reforça a invisibilidade e a susceptibilidade à opressão da população iletrada. De acordo com o sociólogo Paulo Freire, a educação liberta. Nessa perspectiva, se nota que a leitura e a escrita devem ser tão utilizadas pela população de classe alta, quanto pela classe baixa, visto que os dois devem possuir o mesmo direito ao acesso à cultura e à educação. Porém, na realidade, a educação em escolas mais periféricas não é tão satisfatória quanto a de escolas privadas em ambientes mais bem desenvolvidos.
Portanto, fica evidente a importância da alfabetização para a construção de uma sociedade mais digna e menos desigual, bem como da necessidade de transformar o cenário atual diante do exposto. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Educação promover o maior acesso ao conhecimento e às práticas de leitura e escrita, por meio da criação de programas de alfabetização oficiais do governo em parceria com as escolas públicas estaduais e municipais- que incentivem pessoas de qualquer faixa etária a se inscreverem, sem custo algum- a fim de evitar a situação de alienação e exploração dos membros das classes mais baixas. Desse modo, o cidadão brasileiro, poderá se afirmar, assim como os bichos citados no livro de Orwell, sendo seres conhecedores, autônomos e autosustentáveis.