Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
O filme indicado ao Oscar, “Central do Brasil”, retrata a ótica do analfabetismo na década de 90 no país, por intermédio de Dora, personagem estrelada por Fernanda Montenegro, a qual é uma ex-professora que ganha a vida escrevendo cartas para pessoas analfabetas, nas quais ditam o que elas desejam contar às suas famílias. Não distante desse cenário, o Brasil atual ainda possui um grande número de preferência analfabetos consolidados e analfabetos encaminhados, ea falta de ações do Estado juntamente com a desigualdade social fomentam cada vez mais esse empecilho. Sob tal ótica, torna-se imprescindível o debate dos desafios na alfabetização da população brasileira.
Em primeiro plano, deve-se ressaltar que as ações do Estado para com o problema desde a época do filme não têm-se reverberado com ênfase na prática, pois no momento, segundo o IBGE, há cerca de 11 milhões de brasileiros analfabetos. Tal conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, visto que o Estado não cumpre sua função de proteção aos direitos indispensáveis, neste caso, a educação, a qual infelizmente está desmantelada no país.
Ademais, em segundo plano, é fundamental apontar uma desigualdade social como impulsionadora do analfabetismo no Brasil. Tendo em vista que a maior parte dos analfabetos possuem mais de 60 anos e 27% deste grupo se considera pretos ou pardos. Outro fato também analisado é que o Nordeste se trata da região que concentra mais pessoas em extrema pobreza e também localiza maior parte dos analfabetos. Logo, o analfabetismo é gerado e perdurado pelo contexto social, político e econômico na qual a pessoa se encontra, e é inadmissível que esse cenário permaneça por mais tempo no Brasil.
Infere-se, portanto, que há entraves para garantir a alfabetização de toda a nação brasileira. Sob tal ótica, é responsabilidade do Ministério da Educação intensivar a aprendizagem de crianças e adolescentes através de programas como o “Brasil Alfabetizado”, nos quais como objetivo ofertar recursos, tais como material pedagógico, alimentação e transporte para alfab osetizandos - o que diminuiria a evasão escolar - e bolsas de estudos para os educadores voluntários, principalmente em áreas onde a educação é mais escassa. Paralelamente, o MEC também deve disponibilizar aulas de alfabetização e matemática básica para visitar analfabetos maiores de 18 anos, tendo como foco as pessoas da terceira idade, a fim de que torne essas pessoas alfabetizadas e não em meros analfabetos disponibilizados. Desse modo, o Brasil poderia superar os empecilhos para alfabetizar uma população.