Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 07/01/2021
Para o filósofo Sêneca, a educação exige os maiores cuidados porque influi sobre toda vida. Nesse sentido, constata-se o papel crucial da alfabetização desde a infância, a fim de mitigar ciclos de pobreza e vulnerabilidade. No entanto, a conjuntura brasileira abriga uma educação excludente e um tratamento preconceituoso com a população analfabeta.
É inegável que a precariedade das escolas públicas esteja atrelada à falta de investimento governamental em áreas carentes. Isto é, devido a falta de saneamento básico, luz e materiais didáticos, a unidade funcional escolar torna-se inacessível, e, tratando de tecnologia, como laboratórios de informática e acesso à internet, essa ferramenta educacional põe-se como secundária - se não irreal - às crianças e adolescentes mais pobres. Conclui-se que, parcela da sociedade é impedida de ter acesso à educação plena devido à negligência do Poder Público, o que colabora para uma formação escolar incompleta e reforça entraves sociais.
Outroassim, o preconceito das classes dominantes validam a problemática. De acordo com o filósofo brasileiro Cortella, a nação brasileira é tão preconceituosa que usa o termo “analfabeto” como ofensa. Pois, a responsabilidade pela defasagem educacional é imposta cruelmente sobre o indivíduo, de modo que o constrange e o coage a não voltar a estudar devida a tamanha rejeição. A exemplo, o Plano Nacional de Educação possui a meta de erradicar o analfabetismo até 2024, mas os índices de alfabetização estão sendo alcançados tão lentamente que a erradicação se torna inalcançável. Assim, é evidente que a mínima empatia dos mais privilegiados para aqueles que afligem de uma educação precária, legitima a problemática.
Diante do exposto, é evidente a necessidade de mitigação do analfabetismo. Logo, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pelas políticas nacionais educativas - por meio de recursos da União, enviar e fiscalizar as verbas dadas às Secretárias de Educação, com a finalidade de garantir o direcionamento para o saneamento básico, internet e estruturas básicas como luz, cadeiras, mesas e livros. Ademais, as Câmaras Municipais atreladas às Secretárias de Educação devem realizar debates e campanhas entre escola, família e sociedade, de modo a dizimar o preconceito e incentivar a busca pelo programa Educação Jovens e Adultos (EJA), certificando que adultos podem e devem aprender o letramento. Nesse caminhar, a educação para Sêneca será plenamente realizada no Brasil.