Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 06/01/2021

Na obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, admirador das riquezas oriundas do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. No entanto, percebe-se, ainda, alguns obstáculos na questão do processo de alfabetização da população brasileira. Nesse contexto, em razão da negligência estatal e da base educacional lacunar, emerge um problema complexo.

Diante desse cenário, convém destacar a insuficiência legislativa como causa latente da problemática, visto que o acesso a uma educação básica de qualidade é um direito previsto na Constituição Federal Brasileira. Entretanto, a precária conduta governamental na alfabetização da nação perpetua uma realidade na qual mais de 1/3 do corpo discente do 3º ano do ensino fundamental apresenta inadequações nas práticas de leitura e de escrita, conforme dados da Avaliação Nacional de Alfabetização, o que pode acarretar em deficiência na habilidade de interpretação de textos e comprometer o desenvolvimento de tal parcela de alunos ao longo da vida. Desse modo, medidas são vitais para cessar a inércia na gestão pública e erradicar o problema.

Além disso, as lacunas no ensino básico se mostram como fatores para a consolidação do problema, como consequência dos atos do Estado. Sob essa ótica, divergindo do comportamento estatal, o economista Sir Arthur Lewis defende que a educação é sempre um investimento com retorno garantido. Dessa forma, entende-se que sem o devido aporte de recursos públicos na educação básica brasileira, a conjuntura se torna ainda mais desafiadora, seja pela falta de recursos humanos especializados, seja pela evasão escolar futura por desprazer para com os estudos, gerando possíveis adultos à margem da sociedade em função da falta de autonomia e de liberdade para acessar informações. Assim, vê-se que uma reformulação dos investimentos em políticas de alfabetização são emergencialmente necessárias.

Portanto, fica evidente que uma ação interventiva faz-se necessária. Logo, urge ao Ministério da Educação, como orgão máximo responsável pela gestão e supervisão do ensino brasileiro, desenvolver e disseminar em todas as regiões do país as políticas de enfrentamento ao analfabetismo já existentes, por exemplo, o programa Brasil Alfabetizado, que destina recursos para formação de alfabetizadores e material pedagógico para os alfabetizados, por meio da aprovação de aportes maiores de verba pública, a fim de minimizar o número de analfabetos na sociedade brasileira e se garantir o direito constitucional a educação. Feito isso, será possível alcançar o Brasil tão sonhado pelo personagem de Lima Barreto.