Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A Agenda ONU (Organização das Nações Unidas) 2030 é um plano de ação global composto por dezessete metas que visam melhorar o mundo, e uma de suas tarefas é a redução das desigualdades sociais no âmbito educacional. No entanto, o propopósito torna-se inalcançável quando o assunto são os desafios na alfabetização no Brasil. Nesse sentido, o problema não só deriva da negligência estatal, mas também da segregação social.

Sob esse viés, é fundamental pontuar que o descaso do Estado é um empecilho. Nessa ótica, de acordo com Thomas Marshall, o governo é responsável por garantir direitos sociais como o acesso à educação de qualidade. Todavia, nota-se que a ausência de políticas públicas voltadas para o ensino gratuito, muitas vezes, têm como consequência direta a falta de materiais didáticos e de infraestrutura adequada para grande parte da população estudar. Dessa forma, fica evidente que o descaso do Estado com a educação pública não só aumenta a desigualdade entre estudantes do ensino privado e gratuito, mas também dificulta no processo de alfabetização no Brasil.

Além disso, é imperativo ressaltar que a segregação social é um problema. Nessa perspectiva, segundo Sérgio Buarque de Holanda, na obra “Raízes do Brasil”, a segregação social é uma característica da sociedade brasileira. Evidentemente, tal exposição feita pelo sociólogo prejudica na alfabetização, dado que a população que vive na miséria tem poucas condições de inciar ou completar os estudos, geralmente, pelo fato de entrarem no mercado de trabalho muito jovens, para suprir suas necessidades básicas, como alimentação e moradia. Logo, é notório que a segregação social tanto é um desafio para a alfabetização infantil, quanto para equidade populacional.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas de modo a minimizar os desafios na alfabetização no Brasil. Certamente, para que o problema seja amenizado, faz-se necessário que o Estado, na condição de garantidor dos direitos sociais e individuais, crie propostas governamentais que visem reduzir sua negligência e também a desigualdade populacional. Isso será feito mediante a destinação de dinheiro público para a manutenção das escolas e também pela intensificação de projetos sociais que proporcionem aulas em turnos integrais, merendas e atividades extra-curriculares, com o objetivo de fornecer condições básicas de estudo. Somente assim, chegar-se-á à realidade proposta pela ONU para 2030 e, consequentemente, construir-se-á um Brasil melhor.