Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 27/12/2020

No filme “Escritores da liberdade” é mostrado como as regiões mais periféricas e pobres das cidades são atingidas pela falta de recursos nas escolas e, consequentemente, os alunos apresentam defasagem. Fora da ficção, faz-se premente analisar como a desigualdade de investimentos entre regiões centrais e subúrbio representa um desafio no processo de alfabetização brasileira e, ainda, como isso reflete no futuro.

Em primeira análise, é lícito postular o processo desigual de distribuição de riquezas como adversidade da alfabetização. Nesse sentido, sabe-se que, em 1850, o imperador D. Pedro II assinou a “Lei das Terras”, a qual limitou o acesso as terras por meio da compra e, como resultado, contribuiu para a consolidação de uma estrutura marcada pela concentração de recursos monetários por uma minoria da população. Dessa forma, a concentração de serviços públicos, como a educação de qualidade, se restringe em sua maioria àqueles que têm condições financeiras suficientes. Dessarte, a solução desse impasse perpassa na fragmentação de uma herança imperial.

Faz-se mister salientar, ainda, os prejuízos aos indivíduos que não tiveram sua alfabetização eficaz. De acordo com a revista “Veja”, 3 em cada 10 brasileiros são analfabetos funcionais, isto é, são pessoas que reconhecem letras e números, mas não são capazes de compreender textos ou realizar operações. Como consequência disso, essas pessoas quando estiverem no período de entrar no mercado de trabalho tem maior possibilidade de ser atingida pelo desemprego, uma vez que a compreensão textual e analise de gráficos, são essenciais para a obtenção de uma vaga laboral. Desse modo, a solução não se dá apenas em alfabetizar, mas fazê-lo com qualidade e efetividade.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas aptas a intervirem nos desafios do processo de alfabetização no Brasil. Logo, urge que o Ministério da Educação, por meio da maior parcela dos tributos, promova a igualdade de investimentos nas distintas zonas nacionais, com o objetivo de superar as disparidades socioeconômicas e promover a alfabetização igualitária aos indivíduos tanto de regiões urbanas quanto periféricas e, ainda, que vise a qualidade do ensino em desenvolver o pensamento lógico e compreensivo. Dessa maneira, será possível que a desigualdade mostrada no filme não seja realidade e não reflita no processo de alfabetização.