Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 22/12/2020

A Constituição brasileira de 1988 assegura o acesso à educação como dever e direito de todos os cidadãos. No entanto, na prática, a garantia não é exercida com êxito, já que perpetua-se uma alta taxa de analfabetismo no Brasil. Nessa ótica, o campo federal educacional constitui-se de um espaço para reprodução de valores dominantes e segregação, uma vez que acentua as diferenças sociais entre a população. Destarte, torna-se fundamental a intervenção do governo para contornar a situação desigual do país e promover a democratização de um ensino público de qualidade.

Cabe mencionar, em primeira instância, os efeitos da ineficiência da educação brasileira e da distribuição desigual de renda e serviços entre os indivíduos, como o comprometimento do desenvolvimento pessoal e profissional. Visto que analfabetos não dominam o código alfabético e tampouco adquirem a competência de interpretação, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho cresce. Soma-se à essa desvantagem, a especialização da mão de obra após a Revolução Técnico-Científico-Informacional, a partir da aplicação da ciência no processo produtivo, que acentuou o desemprego estrutural.

Ademais, de acordo com o filósofo Schopenhauer, o ser humano é movido por ímpetos cegos, que, no contexto capitalista, costuma ser a ascensão social. Entretanto, a recorrente evasão escolar, ou seja, o abandono das instituições de ensino, afeta o realização do desejo individual. Por conseguinte, essa situação decorre da ausência de condição econômica suficiente para o sustento da família, então, muitas vezes, acarreta na inserção precoce do estudante no mercado de trabalho, o que dificulta a sua vida acadêmica. Paralelamente, esse processo liga-se à taxa de analfabetismo, devido à limitação da educação do ser.

Torna-se evidente, portanto, a permanência da população desprovida de conhecimentos básicos para vivência no conjunto social. Desse modo, urge que o Ministério da Economia, em parceria com as escolas públicas, direcione investimentos para as instituições de ensino, com os maiores índices de abandono escolar, empregarem um assistente social que controle as faltas dos alunos e incentive a continuidade do estudo. Além disso, cabe à mídia - principal veículo formador de opinião - , por meio de blogs e correntes de pensamento, pressionar o governo para a realização efetiva do Plano Nacional de Educação, a fim de proporcionar à população o domínio da leitura e da escrita. A partir dessas ações, espera-se que a concretização do direito educacional e cultural, previsto na Constituição de 1988, deixe de ser uma utopia no Brasil.