Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 22/12/2020
Na série animada “Os Simpsons”, o personagem Cletus não sabe ler, por isso não tem acesso aos serviços básicos e vive à margem da sociedade. De fato, casos como o dele não se limitam a cenários fictícios e refletem as consequências que o analfabetismo pode gerar para os indivíduos. Nesse sentido, debater acerca dos desafios do processo de alfabetização é pertinente ao contexto brasileiro. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que durante grande parte da história, o alfabetismo foi limitado à elite no país, de modo que é necessário superar esse impasse histórico para promover a universalidade desse processo.
Deve-se pontuar, antes de tudo, que até a Era Vargas em 1930, o voto era censitário e um dos critérios para ter esse direito era ser alfabetizado, assim o Brasil mantinha mais da metade da população afastada da vida política. Nessa lógica, é válido afirmar que os governantes usavam de artifícios para que as classes mais baixas não tivessem acesso à alfabetização, pois dessa forma continuavam no poder com mais facilidade. Segundo o sociólogo Anthony Giddens, a escola é essencial para o senso crítico e ampliar a visão de mundo do indivíduo. Logo, presume-se que o maior desafio para garantir o processo de alfabetização no país é o viés histórico incentivado pelo próprio Estado por mais de 400 anos que resultou em consequências nas mais variadas áreas da vida dos cidadãos.
Ademais, um dos artifícios usados pelos governantes para impedir a universalidade da alfabetização era condicionar as escolas ao setor privado e precarizar as públicas. Dentre esses efeitos, em 1988, com a consolidação da democracia brasileira, houve a implementação da Constituição Federal, na qual forneceu a educação como direito básico do cidadão e dever do Estado. Por certo, colocar essa parte da Carta Magna em prática é uma forma deixar no passado erros históricos e dar aos indivíduos um ensino que além de alfabetizá-los também os fará pensar de forma crítica. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem sobre essa conjuntura.
Torna-se evidente, portanto, que casos como o do Cletus não podem continuar a ser reflexo da sociedade brasileira. Assim, é necessário que o Ministério da Educação, com ações da união dos poderes executivos, amplie o número das escolas públicas de qualidade, por meio da criação de um projeto voltado à universalidade da educação, com o intuito de criar novas escolas em lugares marginalizados e melhorar as que estão em condições precárias. Além disso, esse projeto deve promover a alfabetização mesmo daqueles que não estão mais no colégio, por intermédio da nomeação de professores particulares que ensinem as pessoas em casa. Enfim, a partir dessas ações, o Estado cumprirá com seu dever básico de garantir a educação.