Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 21/12/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.” Simbolicamente, de forma análoga ao poema modernista de Carlos Drummond de Andrade, nota-se que durante o percurso da caminhada social há obstáculos. Nesse viés, os desafios do processo de alfabetização no Brasil, ainda é um grave problema social. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover o ensino inclusivo e acessível a fim de fechar lacunas resultando em uma educação abrangente.
Diante desse cenário, substancial parcela da população não têm acesso à educação.Não há como promover a alfabetização isonômica em uma sociedade marcada por desigualdades sociais. Assim, a educação de qualidade é ofertada apenas às classes mais abastadas aumentando significativamente a segregação. A esse respeito, a Constituição Federal garante a todos o direito à educação e, no Artigo 214, enfatiza a erradicação ao analfabetismo. Ocorre que, a ausência do Estado, significa condenar essa parcela evidenciando dessa forma o privilégio ao invés do direito.
De outra parte, há o analfabetismo funcional, isto é, uma parcela de alunos que têm dificuldades de compreensão textual. Esse quadro é ainda mais grave quando há a evasão escolar. Todos os anos rapazes e moças abandonam a escola por apresentarem dificuldades de acompanhamento resultando em muitas vezes no atraso e na reprovação nas séries escolares. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição Zumbi” isto é, quando as instituições perdem sua função social, mas o Estado ainda mantém sua forma a todo custo. Assim, a falta de incentivos e recursos direcionados às escolas fragilizam a dignidade humana e ferem gravemente a cidadania desses cidadãos.
É urgente, portanto, que esse ciclo seja interrompido. O Estado precisa ser estratégico e remanejar recursos para as outras autarquias. O Ministério da Educação em união com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – devem mapear as áreas mais frágeis, proporcionando uma maior abrangência . Assim, poderiam criar um projeto denominado de “Educação Presente” destinando recursos as escolas para atividades dentro e fora das escolas, como por exemplo,levar ônibus com bibliotecas e professores nessas localidades com a finalidade de promover o acesso à educação. As escolas poderiam criar workshops e oficinas aos alunos que têm dificuldades com a finalidade de acolher e identificar as dificuldades de cada um, para dessa forma, fechar as lacunas possíveis proporcionando educação isonômica e retirando as pedras assim como na poesia de Drummond.