Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 06/10/2021
No documentário “Muito Além do Peso”, é retratada a situação da obesidade infantil e a incidência, em crianças, de doenças que antes eram comuns aos adultos. Nesse sentido, a trama explora as causas e consequências desse distúrbio alimentar na vida dos infantes. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada na obra pode ser relacionada ao hodierno cenário brasileiro que, em razão da dinâmica da vida moderna e do culto midiático aos alimentos ultraprocessados, dificulta o combate à obesidade infantil. Logo, são necessárias ações sociais e estatais na contenção de tal adversidade.
A priori, é imperioso salientar que a modernidade - marcada, muitas vezes, pela ausência dos pais em casa - trouxe consigo a necessidade de soluções rápidas e práticas para a alimentação das crianças, como a substituição de alimentos tradicionais, como arroz e feijão, por alimentos industrializados, os “fast food”. Sob esse viés, houve o recrudecimento do consumo de produtos ricos em gordura hidrogenada, capaz de aumentar a durabilidade, intensificar o sabor e diminuir o custo da produção. Entretanto, ao se alimentar desses produtos, a criança ingere níveis demasiados de açúcar, sódio e LDL - Low Density Lipoprotein, popularmente conhecido como colesterol ruim, nocivo à saúde e responsável pela incidência de inúmeras doenças. Assim, faz-se necessária uma mudança de postura dos pais no tocante ao incentivo ao consumo exacerbado de produtos de baixo valor nutricional.
Ademais, é conveniente destacar que o culto midiático- com a apresentação irresistível dos “fast food” - aos alimentos ultraprocessados escraviza o paladar da criança, tornando-a cativa ao consumo de tais alimentos e intensificando a problemática da obesidade. Concordando com a célebre frase do escritor George Owrell “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”, é fato que a imprensa cria na consciência das pessoas necessidades irreais e, consequentemente, consegue o controle dos seus hábitos de consumo, os quais ficam subordinados às propagandas tendenciosas de espetacularização dos industrializados. Destarte, diante do poder de influência da mídia, faz-se necessário o investimento na propagação de hábitos saudáveis.
Portanto, a fim reduzir o incentivo ao consumo de alimentos de baixo valor nutricional e, como efeito, os índices de obesidade, urge que as escolas e as famílias, instituições formadoras de opinião, invistam, por intermédio da discussão sobre o tema da obesidade, no esclarecimento acerca dos prejuízos que o consumo demasiado de industrializados pode acarretar à saúde. Além disso, compete ao meios de comunicação, por meio da utilização de seu alcance, a propagação de hábitos de consumo saudáveis, com o escopo de diversificar o paladar dos infantes. Somente assim, poder-se-á combater a obesidade infantil e contribuir para que o drama narrado em “Além do Peso” seja, em breve, apenas ficção.