Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 30/08/2021
A obesidade é uma doença multifatorial, isso é, pode ser motivada tanto por elementos biológicos, quanto por elementos socioculturais e econômicos. Na perspectiva dos dois últimos fatores citados, é possível dizer que a gestão do modelo econômico capitalista, ao valorizar a produção de alimentos ultraprocessados, facilita o desenvolvimento de distúrbios alimentares como a obesidade. Ou seja, a lógica da lucratividade empreendida pelo capital e alimentada pela indústria dos processados cria condições para adoecer a população, principalmente a infantil.
Em primeiro lugar, é importante situar que o consumo de alimentos calóricos, por grande parte da população mundial, tem relação com a indústria de processados desenvolvida nos EUA durante a segunda guerra mundial. Esse país alavancou enquanto maior potência capitalista, e passou a ter grande influência na determinação dos vetores de força que organizam a vida dos indivíduos. Um dos costumes mais difundidos foi o da alimentação baseada em produtos industrializados, que estava em concordância com o padrão de vida pautado na constante busca pelo acúmulo de riquezas, no qual pregava-se não sobrar tempo para cuidar do bem-estar nutricional.
Em segundo lugar, pode-se dizer que, no Brasil, apesar de existir um elevado potencial para o cultivo de alimentos in natura, os investimentos são voltados para a manutenção de monoculturas, como a de soja, produto agrícola muito utilizado para a produção de alimentos processados, a exemplo das massas. Dados do IBGE indicam como essa discrepância de investimentos vai dificultar ainda mais a resolução de disturbios como o da obesidade, pois os alimentos com alto valor nutritivo possuem a tendência de ficarem mais caros. As estimativas mostram que, até 2030, a previsão é que os preços dos alimentos in natura e minimamente processados continuem crescendo, à uma taxa de R$0,55, enquanto os preços dos ultraprocessados devem decrescer à uma taxa de R$2,28.
Dessa forma, é necessário, primeiramente, que haja um redirecionamento dos investimentos para setores como o da agricultura familiar, responsáveis pelo abestecimento do mercado interno com produtos de elevado valor nutricional. Isso seria feito pelo Ministério da Economia, por meio da criação de um programa de auxílio fiscal e técnico aos pequenos produtores, de modo a aumentar a produtividade e dimuir o preço da mercadoria. Além disso, é importante que haja a criação de um progama de educação alimentar nas escolas, organizado e gerido pelo Ministério da Educação, por meio de palestras e atividades que valorizem o cultivo e consumo de alimentos in natura. Desse modo, espera-se que as crianças possam ter mais autonomia no reconhecimento da importância do bem-estar nutricional para a qualidade de vida.