Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 30/07/2021
O documentário “Muito além do peso” retrata os maus hábitos alimentares das crianças brasileiras, as quais consomem alimentos ricos em gorduras e carboidratos de maneira excessiva. Nessa perspectiva, na conjuntura contemporânea, percebe-se desafios no combate à obesidade infantil, em decorrência de práticas pouco saudáveis por esse público. Nesse contexto, urge analisar como a publicidade exacerbada e o sedentarismo impulsionam tal problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que a obesidade infantil está intrinsecamente relacionada à publicidade abusiva voltada para o público infanto-juvenil. Segundo o Ministério da Saúde, 12,9% das crianças brasileiras entre cinco e nove anos de idade estão obesas. Nesse viés, tal panorama ocorre, sobretudo, devido aos conteúdos publicitários que veiculam os alimentos ultraprocessados com brinquedos e personagens infantis e, consequentemente, acabam estimulando o imaginário desses indivíduos a desejarem consumir esses alimentos. Desse modo, a rápida difusão dos anúncios e a facilidade de encontrar itens com baixo valor nutricional e alto teor de açúcares e lipídeos a preços acessíveis corroboram para que esses cidadãos adquiram maus hábitos alimentares e ,concomitantemente, aumento de peso.
Outrossim, vale salientar que o sedentarismo favorece o ganho de peso e o desenvolvimento de problemas de saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o tempo máximo que uma criança deve passar em frente a uma tela, como o celular e a televisão, é de três horas por dia. Contudo, nota-se que essa recomendação não é seguida por uma parcela desse público, haja vista que milhares de crianças passam horas paradas entretendo-se em jogos e desenhos. Por conseguinte, a falta de atividades físicas associadas à uma alimentação irregular provoca o acúmulo de gordura corporal e propicia o aparecimento de enfermidades, como a obesidade, diabetes e hipertensão.
Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para combater à obesidade infantil. Logo, cabe ao Poder Legislativo - órgão responsável pela elaboração e revisão das normas - desenvolver um projeto de lei que vise proibir a publicidade infantil nos rótulos de alimentos e na mídia, uma vez que o público infanto-juvenil é facilmente persuadido por esse mercado. Isso deve ser feito por meio da aprovação pelo Congresso Nacional e fiscalização constantes por órgãos competentes, a fim de minimizar o consumo de alimentos hipercalóricos e a ocorrência da obesidade infantil. Assim, espera-se que os maus hábitos expostos no curta-metragem sejam atenuados na esfera social.