Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 11/09/2020
O filme estadunidense “A fantástica fábrica de chocolate” narra a história de Augustus Gloop, um garoto fascinado por doces que desenvolve transtornos alimentares compulsórios. Embora trate-se de uma produção cinematográfica, a condição obesa de milhares de crianças brasileiras ainda é uma realidade a ser vencida, o que põe em risco a sua saúde. Diante dessa situação, depreende-se que fatores como a influência familiar na rotina alimentar e física dos filhos e a pressão midiática focalizada no público jovem são determinantes para o cenário de combate à obesidade infantil.
Em primeira análise, percebe-se que a influência da família é de grande importância para a determinação dos hábitos alimentares infantis e da rotina adotada pela casa. Nesse sentido, seguindo o pensamento de Rousseau, ao considerar que a criança nasce pura e é moldada pelo seu entorno, a responsabilidade parental na promoção do exemplo a ser seguido pelos filhos apresenta-se também na adesão de práticas saudáveis à realidade caseira. Nesse contexto, a facilidade de preparo de alimentos instantâneos e a condição sedentária dos jovens em frente às telas, motivados pelo ritmo diário familiar automatizado, tornam o ambiente propício ao transtorno alimentar. Dessa forma, cultivar hábitos saudáveis em casa, desde a infância, auxilia na incorporação de frutas e verduras ao cardápio das crianças e na prática regular de atividades aeróbicas, visando à manutenção da saúde.
Associado a essa conjuntura, analisa-se que a propaganda voltada para o público infantil interfere nos desejos alimentares dos jovens, tornando-se necessária a filtragem do conteúdo exposto. Nesse aspecto, o apelo midiático e a exposição de produtos com alto teor calórico e baixo índice nutricional somam-se à dificuldade de adequar os pequenos a hábitos saudáveis. Com isso, a base alimentar é comprometida, o que é comprovado a partir do estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde, com a estimativa que, em 2025, o número de crianças obesas no planeta chegue a 75 milhões. Assim, influenciados pela acentuada ação da mídia sobre o consumo de açúcares, os jovens mostram preferência pela ingestão de alimentos como refrigerantes e fast-food, o que leva à aparição de comorbidades, como diabetes, doenças cardíacas e respiratórias.
Portanto, infere-se que o estado de desafios para a supressão da obesidade em jovens deve ser revertido. Desse modo, a escola deve, em parceria com a família, promover palestras, voltadas aos pais, por meio da contribuição de nutricionistas e pediatras, para a conscientização acerca da importância de uma rotina saudável ao crescimento das crianças. Além disso, é preciso que o Ministério da Saúde, por meio da ação de órgãos fiscalizadores, proíba a circulação de comerciais de alimentos altamente calóricos voltados para o público infantil, a fim de proteger a saúde dos pequenos.