Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 17/07/2020
A partir da Pré-História e até o final da Idade Média, a ideia de estar acima do peso era vista como uma qualidade positiva e as crianças serem obesas era considerado como sinônimo de saúde, prosperidade e fertilidade. Hoje, pelo contrário, sabe-se que esse pensamento é errôneo, visto que a obesidade tornou-se a segunda maior causa de morte prematura no Brasil, de acordo com pesquisas do Ministério da Saúde. Segundo o sociólogo Gilberto Freyre, “O ornamento da vida está na forma como um país trata as suas crianças’’, com isso surge a necessidade combater os desafios do aumento da obesidade infantil, no qual tem suas causas ligadas à realidade do país, seja pela falta de educação alimentar nas escolas, seja pela influência da mídia na vida do indivíduo, sobretudo na infância.
Em primeiro plano, é notório que a publicidade infantil esteja entre as causas principais do problema. De forma análoga, o filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate” pode-se observar uma empresa de doces que formula várias formas de atender aos desejos infantis, elaborando uma série de produtos diferenciados. Da mesma forma, na realidade, as docerias e empresas de fast-food, como por exemplo McDonald, voltam-se principalmente para o público infantil, por meio das intensas propagandas desenvolvendo e criando nas crianças a necessidade de consumir seus alimentos industrializados com baixo valor nutricional e rico em gorduras, por associarem a eles personagens de filmes e desenhos animados, além da distribuição de brinquedos supérfluos, caso seja feita a compra do produto. Assim, a mentalidade consumista que desenvolvem na criança, faz com que essa não se importe com a sua saúde e que esteja apenas interessada nos prêmios recebidos.
Concomitante a isso, é importante pontuar a omissão das instituições quanto à má alimentação dos indivíduos. As escolas brasileiras negligenciam a saúde dos estudantes ao não instruí-los sobre os riscos da obesidade e as formas de preveni-la. Como reflexo de uma população ignorante frente aos hábitos alimentares ideais, mais de 30% das crianças apresentam excesso de peso, segundo pesquisas do Ministério da Saúde, podendo adquirir ainda doenças como diabetes e hipertensão.
Torna-se evidente portanto, que tanto a falta de educação alimentar quanto a influência midiática contribuem como desafios para o combate à obesidade infantil. Com o objetivo de reverter esse cenário, é imprescindível que o Governo por meio do Poder Judiciário fiscalize as propagandas alimentícias a fim de que as crianças não sejam induzidos a consumir alimentos industrializados apenas para gerar lucro para as corporações. Ademais, é fulcral que a Escola promova a conscientização dos estudantes através de palestras com nutricionistas, para que sejam ensinados aos pais e alunos como se alimentar corretamente, desconstruindo, dessa forma, costumes errados herdados anteriormente.