Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 24/07/2020

Para o filósofo francês, Jean-Paul Sartre, o ser humano é livre e responsável; cabe a ele escolher seu modo de agir. Essa visão, embora correta, infelizmente, não abrange todo o hodierno cenário global, posto que há dificuldade para combater a obesidade infantil, sendo as crianças, influenciadas pelos pais e pela mídia a consumirem alimentos industrializados e não os estimulando a praticar exercícios físicos. Isso ocorre, tanto em função da desigualdade social, como também pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Diante disso, é imprescindível conhecer e discutir os diversos estigmas dessa problemática, na propensão de solucioná-la.

Em primeiro lugar, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jürgen Habermas, no qual ele conceitua a ação comunicativa: esta consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, demandando ampla informatividade prévia. Assim, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam um pleno conhecimento da realidade na qual estão inseridos – já que são crianças, possuindo dependência de um adulto para direcioná-las –, e de como seu próximo pode desfrutar do bem comum, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Logo, os maus hábitos alimentares infantis não podem ser aceitos em nome do combate, também, ao individualismo e zelo pelo bem grupal.

Ademais, o controle de dados impulsiona na indústria cultural, teoria criada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer. Segundo esta, a cultura de determinado local é substituída por uma que se sobressai, fenômeno intensificado pela concentração de renda(manipulada por autoridades governamentais) no Brasil, uma vez que os elementos da cultura a ser difundida são vinculados aos que têm mais poder de voz. Isso causa perda de identidade dos povos, devido ao desapego em manter hábitos saudáveis no dia a dia, em prol da cultura de praticidade e agilidade nas tarefas do cotidiano.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, devem propor a criação de uma nova matéria para a grade curricular do Ensino Fundamental: educação alimentar, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tal matéria deve ser obrigatória em todas escolas brasileiras. Além disso, autoridades políticas devem levar a todos municípios atividades gratuitas que tenham como objetivo melhorar o condicionamento físico da população, como aulas de zumba. Essas medidas servirão para garantir que as pessoas, desde a infância, tornem-se mais conscientes com sua alimentação e priorizem a saúde.