Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 06/03/2019

Na obra literária “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter”, o escritor Mário de Andrade retrata de forma virtuosa hábitos e práticas de caráter tupiniquim. Entretanto, ao analisar a qualidade da alimentação da parcela infanto-juvenil brasileira, é encontrado algo que não se encaixa nos moldes admiráveis do livro. Devido o sistema social totalmente dinâmico vigente, e a proliferação do “fast food”, crianças e adolescentes acabam por desenvolver comportamentos nocivos, o que abre porta para inúmeros problemas de saúde, onde inclui-se a obesidade.

Em primeira instância, a mobilidade diária de tarefas, afazeres e compromissos que a realidade econômica atual institui, afeta drasticamente na alimentação infantil. Atrasado para o trabalho e para levar o filho à escola, grande parte dos pais perde a participação na nutrição das crianças, o que acarreta o deslocamento dessa responsabilidade para certas instituições de ensino. Porém, nem todas as escolas públicas brasileiras contém estrutura nutricional, então os alunos tronam-se reféns de alimentos industrializados, gordurosos e ricos em sódio. Inicia-se então, na escola ou creche, um péssimo hábito alimentar que causa sequelas e malefícios para toda a vida de um ser humano.

Posteriormente, com a popularização em massa da cultura de fast food, pais como os citados anteriormente acabam por optar pela comida rápida, outra prática que dá origem a uma alimentação totalmente errônea. Consequência do tempo escasso, o consumo desse tipo de alimento cresce exponencialmente, principalmente em meio as crianças que não têm o acompanhamento nutricional de seus responsáveis, expostos então a obesidade, hipertensão e variados outros riscos fruto dessa prática. Pode-se afirmar, que tal situação é um retrato cruel da tese empírica aristotélica de que o ser torna-se naquilo a que constantemente é submetido, ou melhor adaptado para o problema, repetidamente ingere.

Dessa forma, é evidente que medidas governamentais e privadas são necessárias na resolução do impasse. Primeiramente, o Ministério da Saúde deve, junto ao Ministério da Educação, trabalhar na criação de uma secretária nutricional que fiscalize a merenda das instituições públicas de ensino e reporte qualquer violação de um cardápio saudável e intermeie soluções referentes a falta ou até mesmo desvio de verba destinada a alimentação destes alunos. Em segunda instância, é papel do responsável legal participar dos hábitos alimentares e coagir a criança a ter uma alimentação nutritiva, esse responsável pode ser instruído por meio de publicidades criadas pelo Ministério da Comunicação que visem a ampliação do conhecimento nutricional alimentício de boa qualidade. Com medidas assim em ação, o hábito alimentar infantil adquire virtudes semelhantes as descritas por Mário de Andrade.