Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 27/02/2019

Na televisão estadunidense, o reality show ‘‘My 600-lb Life’’, intitulado no Brasil ‘‘Quilos Mortais’’, mostra a vida de indivíduos obesos que buscam uma mudança de vida por meio de ajuda médica e psicológica. Na terra do ‘‘fast-food’’, o sobrepeso é uma epidemia com sérias consequências. Ao traçar um paralelo com o Brasil, é lamentável perceber que a problemática da obesidade, especialmente infantil, torna-se cada vez mais nítida no cotidiano nacional, o que leva a sociedade a refletir sobre os desafios do combate a esse quadro. Assim, é lícito afirmar que, o Estado, com sua ineficiência, além da conduta nociva de parte dos núcleos familiares, colaboram para a perpetuação desse revés.

Convém ressaltar, antes de tudo, que é ingênuo acreditar que o Governo cumpre seu papel no que se refere à questão. Apesar de existir, de fato, ações que visam garantir a saúde física e o bem-estar das crianças, como a instituição de aulas de educação física nas escolas públicas e o lançamento do Guia Alimentar para a População Brasileira, cartilha que apresenta instruções alimentícias para uma vida saudável à nação, apenas medidas pontuais dessa natureza são incapazes de conter o fato de que, até 2025, 11,3 milhões de infantos serão obesos no país, segundo reportagem de janeiro de 2018 da British Broadcasting Corporation (BBC). Destarte, ao considerar o agravamento dos níveis de crianças com sobrepeso um assunto não emergencial e de segundo plano, o Estado ignora o caráter de saúde pública do problema. Prova disso é a ausência de uma política do Ministério da Saúde que tenha efetividade em chegar até a mesa dos brasileiros e fazê-los transformar seus hábitos alimentares.

Outrossim, não há duvidas de que a postura inconsciente de parcela das famílias contribui para o impasse. É visível que, por sua vez, muitos responsáveis não incitam a criança a ingerir alimentos saudáveis desde a tenra idade e, muitas vezes, optam pelo que é mais receptivo ao paladar infantil: carboidratos com alto nível de açúcar, frituras ao óleo, etc. Sob esse aspecto, John Locke diz: ‘‘O ser humano é uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências’’. Dessa forma, percebe-se que tal comportamento familiariza o indivíduo a habituar-se com escolhas pouco saudáveis.

Faz-se evidente, portanto, que ações são necessárias para alterar essa conjuntura. Para isso, o Ministério da Saúde, por meio de um amplo debate entre Estado, sociedade civil e classe médica, deve estruturar um Plano Nacional de Combate à Obesidade Infantil, que deverá estabelecer atos como redução de açúcar e gordura de refrigerantes e biscoitos. Tal plano também deve estabelecer que supermercados insiram nas gôndolas mensagens de aviso sobre os riscos do excessivo consumo de industrializados por crianças. Somado a isso, a escola deve oferecer palestras aos responsáveis com o objetivo de ajudá-los a inserir da melhor maneira a criança em um cardápio benéfico.