Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 16/12/2018
“O ornamento da vida é a forma como um país trata suas crianças”. Tal frase do sociólogo Gilberto Freyre afirma a necessidade de dar ênfase aos assuntos relacionados à infância. Nesse cenário, pode-se citar a obesidade infantil no Brasil, haja vista que um terço das crianças entre cinco e nove anos está acima do peso, segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde. Isso acontece porque, não raro, há descaso, a influencia midiática errônea, altos índices de sedentarismo, entre outros motivos.
Mormente, adaptando o conceito de modernidade líquida de Zygmunt Bauman, parece que o prazer imediato e a falta de preocupação com o futuro sobrepõem o cuidado com a saúde. Dessa maneira, quanto a faixa etária infanto-juvenil, até mesmo os próprios pais ou responsáveis tornam-se, muitas vezes, complacentes com essa conduta, ao não instruir e introduzir na rotina familiar, desde as fases mais tenras, hábitos alimentares saudáveis, evitando, assim, alimentos gordurosos e poucos nutritivos. Ademais, a mídia, diversas vezes, influencia crianças e adolescentes a alimentarem-se de forma incorreta, através de propagandas de produtos alimentícios incompletas quanto aos fatores de risco desses tipos de refeições.
Ainda convém ressaltar que o sedentarismo atinge 45% das crianças brasileiras, de acordo com estudo do Ibope. Tal conjuntura demonstra um fator preocupante em relação a sociedade, causado por uma acelerada rotina dinâmica, na qual, parte da população, visa a praticidade em detrimento de esportes e atividades físicas, como muitas crianças preferem aproveitar seu tempo livre somente para utilizar aparelhos eletrônicos, como celulares e jogos. Ademais, em áreas de maior vulnerabilidade social, há escassos investimentos governamentais em ambientes de lazer e esportes para o público infanto-juvenil. Dessa forma, o grupo infantil torna-se mais suscetível ao desenvolvimento da obesidade, a qual, pode, ocasionar diversos problemas de saúde, como a diabetes.
Portanto, é imprescindível que a obesidade infantil seja amplamente combatida no Brasil. A fim de que isso ocorra, é necessário que as escolas de todo o país, em conjunto com o Ministério da Educação, incluam no currículo escolar mais aulas de educação física, bem como apresentem, por meio de supervisão de nutricionistas, um cardápio de merenda mais saudável e natural, junto com o apoio da família, a qual deve realizar, por exemplo, diálogos instrutivos sobre a necessidade de uma alimentação correta. Outrossim, é necessário que a mídia apresente, com o apoio governamental, mais propagandas televisivas que enfatizem os problemas da alimentação sempre não saudável. Além disso, é preciso que o governo, por intermédio de corte de gastos em áreas de menor urgência social, direcione mais verbas para construção e manutenção de áreas esportivas para a sociedade.