Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 02/10/2018
Melhorando a alimentação infantil para um mundo melhor
Bela Gil, apresentadora de televisão e chefe de cozinha, costuma afirmar que é possível mudar o mundo pela alimentação. Contudo, em virtude de maus hábitos alimentares, segundo o Ministério da Saúde, uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos está acima do peso no Brasil. Entre os principais desafios para combater a obesidade infantil destacam-se, sobretudo, a propaganda de alimentos direcionada para crianças e o menor custo relativo de produtos com baixo valor nutricional.
Primeiramente, salienta-se que a publicidade de alimentos não saudáveis é uma das grandes responsáveis pelos casos de jovens com excesso de peso. As crianças, por estarem com sua personalidade em formação, são mais facilmente condicionadas por ações de marketing. Ademais, esse efeito é potencializado, pois elas vivenciam com mais intensidade o fenômeno que o sociólogo francês Émile Durkheim, chamou de Teoria do Fato Social: ou seja, são mais suscetíveis a adequar os seus comportamentos ao do grupo. Assim, a propaganda de redes de fast food, por exemplo, voltada para crianças tem bastante efetividade na determinação de hábitos alimentares do público infantil.
Outrossim, o fato de alimentos mais saudáveis serem, normalmente, mais caros dificulta o combate à obesidade infantil. O menor preço costuma ser um incentivo para que o consumidor mirim opte por um refrigerante ao invés de um suco de frutas natural feito na hora, apesar de ser de conhecimento geral que o valor nutricional daquele é bem inferior ao desse. Nesse sentido, é pertinente recordar a recente experiência do Chile que instituiu o Imposto Adicional às Bebidas Açucaradas (IABA), taxando em 18% todas as bebidas com adição de 6,25 gramas ou mais de açúcar para cada 100ml, contra 10% das demais. Matéria do jornal El País evidencia o sucesso da política chilena: desde a instituição do IABA, houve uma redução de 20% no consumo de bebidas açucaradas.
Infere-se, portanto, que é imprescindível a utilização de política fiscal para combater a obesidade infantil. Diante disso, faz-se necessário que os Executivos Estaduais, a quem compete a instituição do Imposto sobre a circulação de mercadorias (ICMS), enviem projetos de lei aumentando a alíquota para os produtos com alto teor de açúcar e/ou gordura, e reduzindo, proporcionalmente, o tributo dos alimentos saudáveis. A alteração nos preços relativos causada por essa diferenciação tributária deve provocar mudanças nos hábitos de consumo, diminuindo a ingestão de alimentos hipercalóricos, como demonstrado pela experiência chilena. Dessa forma, contribuir-se-á para que, como deseja Bela Gil, a alimentação mude o mundo para melhor.