Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 02/10/2018
O progresso e a praticidade intrínsecos à pós-modernidade conferiram à milhões de indivíduos notório conforto na vida. A modernização nos meios de locomoção, o acesso rápido e fácil à informação e ao entretenimento bem como a disponibilidade de ampla gama do alimentos que sequer necessitam de preparo tornaram as pessoas mais acomodadas e sedentárias que outrora. Entretanto, tal comodidade oculta perniciosidades que incidirão sobre as crianças e afligi-las-ão no decorrer da vida.
É inegável que a rotina de muitas crianças tem se restringido a uma reclusão doméstica baseada em tablets, celulares, jogos virtuais e alimentos industrializados nada saudáveis. No lar, permanecem grande parte do dia sentadas ou deitadas - absorvidas em aparelhos eletrônicos - e, quando sentem fome, recorrem a salgadinhos, biscoitos recheados, refrigerantes, sanduíches gordurosos e toda sorte de produtos da mesma ordem. Assim, à medida que cristalizam esses hábitos, acumulam quantidade excessiva de calorias no organismo, pois ingerem alimentos que concentram em demasia sódio, açúcares e gorduras saturadas. Todavia, como são sedentárias, não gastarão essas energias consumidas - pois é impossível fazê-lo ao operar um celular ou computador -, de modo que adquirirão sobrepeso e tornar-se-ão obesas.
Nesse contexto, problemas graves e contínuos ocorrerão. O primeiro, nas escolas, em decorrência das condições físicas, se consiste no bullying sofrido por essas crianças , que, como se sabe, contribui para transtornos como ansiedade e depressão. Mais adiante, na adolescência, em virtude de estigmas dos motejos na escola, não será o “conforto” que provocará a reclusão e o sedentarismo do jovem, senão a baixa autoestima. Jovens ansiosos e obesos condicionarão seu bem estar a mais refeições e, alguns casos, a cigarros e bebidas, o que agravará ainda mais sua condição física e psicológica. Logo, na fase adulta, o risco de moléstias como diabetes, colesterol alto, hipertensão, derrame cerebral, câncer e até mesmo ímpetos suicidas serão elevadíssimos, tanto que, consoante dados da OMS, até 2015, cerca de 4 milhões de pessoas morreram em decorrência de doenças relacionadas a obesidade.
Dessarte, deve-se suprimir entre as crianças o sedentarismo e a ingerência dos nocivos alimentos industrializados. Para isso, é mister que, através de recursos repassados pelo MEC às escolas, ampliem as áreas destinadas a prática de desportos, bem como aulas sobre educação alimentar sejam ministradas por nutricionistas aos alunos. Do mesmo modo que, os pais, desde a mais tenra infância, incutam em seus filhos o consumo de vegetais e frutas; restrinjam o uso dos eletrônicos e redes sociais; os afastem de alimentos industrializados; frequentem eventos da mesma ordem da Corrida de São Silvestre e levem os pequenos consigo. Assim, o espectro da obesidade infantil será ofuscado.