Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 27/09/2018

Graciliano Ramos, no livro “Vidas Secas”, denunciou, dentre outras problemáticas, a fome no cenário agreste. Mas apesar desse quadro ainda ser presente, há uma contextualização que se encontra em seu oposto e é, também, questão de saúde pública: a obesidade infantil. Pois sabe-se que, uma vez iniciado o processo de industrialização alimentar, paralelamente com a inserção da mulher no mercado de trabalho, potencializou-se os casos da má alimentação infantil devido à observância do adulto voltada ao suprir econômico da família.

Em primeira análise, a ingestão de alimentos industrializados, por crianças, cresceu conforme a necessidade de diminuir o tempo do adulto com atividades domésticas. Dada a facilidade e preferência infantil por alimentos de baixo valor nutricional, mas de agrado ao paladar, os responsáveis sentem-se, muitas vezes, em cumprimento com o seu papel. Todavia, há de se afirmar que essa compactuação é imprudente, porque a postergação do cuidado da saúde infantil é, de maneira hipócrita, justificada com a aparente alimentação bem sucedida.

No mesmo sentido, essa comodidade reflete em outras áreas, a exemplo da falta de exercício físicos nas fases iniciais da vida. Assim, o estado de saúde da criança toma proporção agravante, pois o corpo humano possui limitações, em seu sistema fisiológico, que devem ser respeitadas. Em consonância, é de grande conhecimento que as mutações genéticas são causadas pela bioacumulação de elementos inócuos e que a falta de hábitos físicos retarda o metabolismo, é então, com isso, que se coloca em risco, de modo implícito, a vida de um indivíduo.

É necessário, portanto, que haja ações não apenas governamentais, mas também sociais. Para isso, faz-se preciso que o Ministério da Agricultura estimule a agricultura orgânica e vincule esses alimentos às instituições públicas de ensino, a fim de inserir no cotidiano das crianças um cardápio saudável. Assim como a presença de nutricionistas e educadores físicos em projetos sociais da educação superior que se coloquem à disposição para atendimento infantil. E, no caminho oposto, para desestimular o consumo de alimentos industrializados, que recaia uma taxa governamental de imposto sobre alimentos de valor nutricional não saudável. Dessa forma, as crianças ficam “cheinhas” de boa saúde e conscientes de que escolhas saudáveis são necessárias para um futuro de qualidade.