Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 07/09/2018

O filme Wall-e retrata uma distopia futurística na qual todos os seres humanos, em razão da alimentação excessiva e da falta de exercícios físicos, apresentam-se obesos, fazendo uso de máquinas até mesmo para a própria locomoção. Essa ficção pode ser realizada em breve, tendo em vista que o alarmante número de casos de sobrepeso infantil no Brasil atual pode originar uma geração de obesos em um futuro próximo, caso nenhuma medida seja tomada. O combate desse impasse, entretanto, apresenta empecilhos relativos não só à vigência de propagandas apelativas que estimulam a má alimentação infantil, como também à falta de acompanhamento da família no que diz respeito à alimentação e à prática de esportes das crianças.

Nesse sentido, é indiscutível que a publicidade midiática dificulta consideravelmente a resolução do problema da obesidade infantil. Isso pode ser evidenciado pela atual circulação de propagandas de cunho apelativo de empresas alimentícias, como de redes de “fast food”, as quais utilizam-se deliberadamente de elementos visuais que buscam estimular o consumo de alimentos calóricos pelo público infantil. Exemplos disso são as propagandas da refeição voltada para crianças, “McLanche Feliz”, da empresa McDonald’s, as quais fazem uso, inclusive, de personagens de desenhos animados para atrair o público alvo. Essa questão é alarmante na medida em que o consumo de tais alimentos é amplamente prejudicial à saúde e contribui diretamente para o sobrepeso infantil. Assim, o combate do desafio supracitado é indispensável para a superação da problemática.

Ademais, indubitavelmente, o frágil acompanhamento dos pais em relação à alimentação e à atividade física dos seus filhos representa outro obstáculo. Tal questão comprova-se pela falta de educação e disciplina na maior parte das famílias brasileiras, as quais, muitas vezes, por pensarem ser normal e aceitável que crianças comam comidas calóricas e passem horas sentadas jogando videogames ou assistindo TV, não estimulam a alimentação saudável e a prática de esportes por parte dos filhos, tornando-os sedentários e, por conseguinte, obesos. Desse modo, essa situação é preocupante, tendo em vista que a família é uma das principais instituições influenciadoras de hábitos nas crianças, corroborando à dificultação da atenuação da problemática.

Portanto, o MEC deve realizar um novo projeto. Isso deve ocorrer por meio da criação de propagandas televisivas que, ao contrário das de cunho apelativo vigentes, tratem da importância da alimentação saudável, a fim de estimulá-la entre as crianças. Ademais, palestras que discorram sobre como as famílias devem educar seus filhos para uma boa alimentação e prática de esportes devem ser realizadas nas escolas, com a presença dos pais dos alunos, a fim de combater a obesidade infantil.