Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 31/08/2018
Segundo o pensamento de Claudio Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como eventos históricos e as relações sociais. Esse panorama auxilia na análise dos desafios para o combate a obesidade infantil, visto que a comunidade, historicamente, marginaliza as minorias, o que promove a falta de apoio da população e do Estado com esses indivíduos, dificultando a sua participação plena no corpo social- o que evidencia uma crise social.
Em primeiro ponto, evidencia-se que a coletividade brasileira é estrutura por um modelo excludente imposto pelos grupos dominantes, no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos, branco e abastado, sofre uma periferização social. Assim, ao analisar a visão de Lévi-Strauss, nota-se que tais crianças obesas não são valorizado de forma plena, pois as suas necessidades de combater a obesidade são tidas como uma obrigação dos pais, sendo que esse dever, na realidade é também estatal. Basta refletir sobre um pesquisa feita pelo Ministério da Saúde, na qual uma em cada três crianças brasileiras entre 5 e 9 anos de idade está com excesso de peso, e quase 9% dos adolescentes são obesos; com isso, pode-se acarretar, futuramente, doenças crônico-degenerativas, como diabetes, colesterol alto, hipertensão ou cardiopatias.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Desse modo, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama líquido, acaba por perpetuar a exclusão e a dificuldade de ter uma vida mais saudável no futuro , por causa da redução do olhar e da negligência dos familiares sobre o bem-estar dos menos favorecidos. Em vista disso, os desafios para o combate a obesidade infantil está presente na estruturação desigual e opressora da coletividade, bem como em seu viés individualista, diminuindo as oportunidades desses indivíduos de terem uma educação alimentar de qualidade e uma vida livre de problemas de saúde.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Saúde deve cobrar uma fiscalização mais rígida do Governo em relação as propagandas que influenciam o consumo de alimentos não saudáveis, afim de que as crianças e adolescentes não sejam induzidos a consumir esses produtos. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, palestras ministradas por psicólogos e nutricionistas, que discutam com os pais das crianças e adolescentes métodos de como inserir uma educação alimentar no dia-dia, afim de evitar que esses indivíduos tenham graves problemas de saúde no futuro.