Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 23/08/2018

Com o advento da Revolução Industrial no século XIX, o setor alimentício sofreu grandes impactos, uma vez que a venda de alimentos não naturais passou a ser impulsionada. Contudo, no que tange à contemporaneidade, vê-se que o consumo desses produtos se configura como um problema que atinge principalmente as crianças, a obesidade, fato esse que ganha graves contornos frente à disseminação desses industrializados na mídia, assim como pela inoperância estatal.

Convém ressaltar, a princípio, que diversos fatores podem influenciar na forma como as crianças decidem o que consumir. Análogo a Durkheim, os fatos sociais são elementos coercitivos da sociedade, que direcionam a forma como as pessoas pensam e agem. Dessa forma, é perceptível que as publicidades alimentícias exemplificam a teoria do sociólogo, uma vez que essas, por meio de propagandas, que despertam a curiosidade infantil e, consequentemente, vendem produtos que na maioria das vezes são maléficos à saúde – ricos em açúcar, sal e gorduras -. Indubitavelmente,  essa questão deve causar preocupação, já que esses fatores podem desencadear transtornos às vítimas, tais como hipertensão, diabetes, além da obesidade.

Soma-se a isso o fato de o Estado pouco agir diante dessa situação. Consoante a Foucault, o discurso é uma ferramenta fundamental para controlar o comportamento de uma sociedade. Nesse sentido, é perceptível que a falta de políticas públicas que evidenciem a importância da alimentação saudável, bem como o incentivo à prática de atividades físicas por parte dos pais e escolas favorecem a persistência desse impasse. Similarmente aos dados do blog BBC, estima-se que até o ano de 2025 o Brasil terá cerca de 11,3 milhões de crianças obesas, o que apenas confirma um triste futuro caso medidas não sejam tomadas.

Postas essas situações, é evidente a necessidade do Ministério da Comunicação erradicar publicidades de alimentos que representem um risco à saúde infantil, isso por meio da criação de cooperativas que analisem o teor de influência sobre o indivíduo, bem como a qualidade nutritiva do produto a ser divulgado e, quando se julgar necessário, barrar a circulação nos meios midiáticos, para que dessa forma, as crianças não sejam influenciadas por fatos socais maléficos. No mais, é imprescindível que o Ministério da Educação crie uma cultura pautada na vida saudável a partir da implementação de aulas de educação alimentar nas escolas, ministradas por nutricionistas que ensinem teoricamente a importância do consumo de alimentos saudáveis e aulas práticas que ensinem as crianças a prepararem esses tipos de alimentos – com intermédio de adultos -. Ademais, seguindo essas medidas, caminhara-se para um Brasil livre mais saudável e livre da obesidade infaltil.