Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 05/06/2018
De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polônes falecido em janeiro de 2017, a velocidade é a principal marca dos dias de hoje. Nesse sentido, a rapidez que caracteriza a pós-modernidade afeta negativamente diversos aspectos da vida cotidiana, dentre eles, os hábitos alimentares e os cuidados com a saúde. Um grave reflexo dessa conjuntura é o alarmante crescimento da obesidade e do sobrepeso em crianças no Brasil. Logo é imperativo que o poder público e a sociedade se unam para combater essa epidemia.
Deve-se entender que a piora na qualidade da alimentação tem relação direta com o ganho de peso. Um bom exemplo disso, é o fato de que nas praças de alimentação dos shopping predominam os restaurantes “fast food” sobre aqueles que oferecem opções mais saudáveis. É fato que os adultos, atualmente, aderiram a essa opção e alimentação, porém uma das maiores preocupações são com as crianças, tendo em vista que a obesidade infantil aumentou significativamente nos últimos vinte anos. De acordo com a Sociedade de Pediatria de São Paulo, são, aproximadamente, cinco milhões de crianças obesas. Afinal, se não houvesse demanda não haveria oferta – princípio básico do capitalismo –, ou seja, as pessoas procuram comida rápida, por conta disso, o mercado de alimentos de baixo valor nutricional cresce e, junto com ele, os níveis de obesidade e sobrepeso.
Em paralelo à questão dos maus hábitos alimentares, a falta de cuidados com a saúde, sobretudo no que se refere a prática de exercícios físicos, também é um fator determinante nessa discussão. A luta contra o sedentarismo, mediada pelo estímulo à prática regular de atividades físicas, é imprescindível não só para a busca de uma melhor qualidade de vida, mas também para a prevenção do excesso de peso e das doenças associadas a ele, como a diabetes, a hipertensão e as cardiopatias. Essas enfermidades matam milhares de brasileiros a cada ano e poderiam fazer menos vítimas em uma população menos sedentária.
Hábitos alimentares mais saudáveis associados à prática cotidiana de atividades físicas são, portanto, os caminhos que precisam ser trilhados pela sociedade brasileira objetivando combater o sobrepeso e a obesidade. Para tanto, é dever das famílias, com o apoio dos postos de saúde, promover uma reeducação alimentar pautada na diminuição da ingestão de alimentos ultraprocessados, uma vez que uma mudança para melhor nos padrões nutricionais deve começar em casa. Além disso, como investimento em promoção de saúde, cabe as escolas criar medidas que incentivem as crianças a praticarem esportes, bem como a utilização de brincadeiras que ajudem a manter as crianças mais ativas e longe das TVs e dos videogames.