Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 02/06/2018

“Fome e obesidade” é um dos paradoxos que mais assolam a história da humanidade. Se retoricamente o Brasil viveu tempos nevrálgicos com a fome, a obesidade assumiu como problema atual, principalmente pela disseminação ao público infantil. Nesse contexto, surge o forte apelo midiático da alimentação ocidentalizada e a postura errônea e insuficiente dos pais e meios educativos como problemáticas frente a alimentação infantil adequada.

Allen Ginsberg, famoso poeta e escritor estadunidense, disse uma vez: “Quem controla a mídia, as imagens, controla a cultura”. Isso resume a trajetória atual das grandes empresas de alimentos utilizando a televisão e outros canais de comunicação no processo de “alienação alimentar”, que influencia principalmente aqueles sem discernimento e coerência nas escolhas: o público infantil. Como resultado, a obesidade e sobrepeso infantil assumiram proporções alarmantes e elevam os riscos futuros para doenças não transmissíveis, como câncer, diabetes e hipertensão, afetando seriamente a saúde individual e elevando os gastos em tratamentos.

De outra vertente, o descuido dos pais quanto ao conteúdo da mídia e a educação nutricional que não existe na grade escolar problematizam ainda mais a obesidade infantil. No primeiro caso, as propagandas com temática de alimentos industrializados não são fiscalizadas pelos pais que permitem o contato, a incorporação e muitas vezes compactuam com essa cultura aos “fast-food”. Quanto à educação, a escola, enquanto agente de formação de caráter, opinião e comportamento, não veicula temáticas sobre alimentação saudável, tampouco intensificam os conteúdos que tangem sobre alimentação e saúde durante o aprendizado.

Com base no que foi exposto, e sabendo da magnitude que a obesidade pode provocar na saúde da população, medidas fazem-se necessárias. Primeiramente, cabe ao governo, em suas três esferas instituir uma política de comunicação a fim de fiscalizar o conteúdo sobre alimentação e o público atingido. Ainda, cabe ao governo, massificar campanhas publicitárias de combate a obesidade e enfoque sobre a alimentação saudável. Finalmente, cabe a escola instituir uma disciplina de “educação nutricional” na grade escolar e promover palestras, fóruns, oficinas e encontros com profissionais da área  sobre a  importância da alimentação para a saúde.