Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 15/01/2021
De acordo com os iluministas Diderot e D’Alembert, atores da “Enciclopédia”, a democratização da educação é fundamental no combate à alienação dos cidadãos, garantindo-os a sua efetiva liberdade. No entanto, quando se observa a realidade brasileira, nota-se que o Brasil está longe de alcançar o ideal iluminista, uma vez que a Educação para Jovens e Adultos (EJA) enfrenta desafios no que tange à evasão escolar e ao descaso governamental. Nesse sentido, faz-se mister a discussão dos aspectos que permeiam esse empecilho, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeira análise, é imperativo pontuar que a evasão do EJA está intrinsecamente ligada às condições socioeconômicas dos estudantes. Por esse ângulo, é lícito afirmar que os alunos dessa modalidade de ensino fazem parte, majoritariamente, da população mais carente do país, que não teve condições de finalizar o ensino básico na juventude, em função, por exemplo, da necessidade de trabalhar para garantir o sustento familiar. Infelizmente, esse cenário perpetua na vida adulta, já que muitos indivíduos, sem perspectiva com o seu futuro no mercado de trabalho, não concluem o EJA e continuam em empregos informais ou de baixa remuneração, formando um ciclo vicioso. Desse modo, é imprescindível a alteração desse quadro deletério.
Outrossim, evidencia-se a baixa atuação por parte dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam essa recorrência. Nesse sentido, esse raciocínio é comprovado pelo papel passivo que o Ministério da Educação (MEC) exerce na administração dessa causa. Instituído para ser um órgão que promova a educação de qualidade a todos, tal ministério ignora ações que poderiam, potencialmente, auxiliar a população de baixa renda a concluir os estudos, como incluir capital para a distribuição de benefícios na base de Diretrizes Orçamentárias, como auxílio alimentação e saúde aos estudantes carentes, mitigando a evasão escolar. Portanto, faz-se mister a alteração dessa postura governamental.
Dessarte, com o intuito de combater os desafios enfrentados pelo EJA, urge que o MEC, por meio de um amplo debate entre sociedade civil, Estado e grandes empresas, lance um plano intitulado “Estude Trabalhando”. Esse projeto deve fornecer vagas de emprego, com carga horária de trabalho flexível, aos alunos que mantenham frequência e notas altas no boletim, através de parcerias com empresários do setor público e privado, incentivando a formação e a inclusão em um mercado de trabalho qualificado. Assim, criar-se-á uma coletividade mais informada, consciente e, por conseguinte, livre da alienação.