Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 13/01/2021

Segundo a Constituição de 1988, documento jurídico de maior importância nacional, a educação é direito dos cidadãos e dever de garantia do Estado. Entretanto, na conjuntura vigente brasileira, quando observa-se a situação precária do projeto de Educação para Jovens e Adultos (EJA), nota-se que esse preceito é constatado na teoria e não desejavelmente na prática. Diante disso, é evidente que o entrave se desenvolve não só devido à falta de engajamento governamental, mas também ao quadro social e educacional brasileiro.

Em primeira análise, de acordo com o filósofo contratualista John Locke, o Estado deve, por meio do “Contrato Social”, promover os direitos aos cidadãos. No entanto, vale ressaltar que, segundo a coordenadora do Centro de Referência Paulo Freire, por conta da falta de investimento público na Educação Básica, ocorre a evasão escolar, o que acarreta na procura pelo EJA. Assim, uma vez que a modalidade supracitada tem caráter compensatório, com tempo e conteúdo reduzido, a formação integral do aluno é afetada e torna-se insuficiente. Logo, o Estado deve direcionar maior atenção ao ensino básico, a fim de que o EJA aja de forma complementar, ao invés de integral.

Outrossim, grande parte da massa civil carente que desiste dos estudos, o faz por conta do cenário social em que se encontram. Dessa maneira, adolescentes começam a trabalhar precocemente para auxiliar nas despesas domésticas ou sustentar financeiramente seus familiares, dispensando os estudos. Além disso, caso queiram retomar os estudos por meio do EJA, esses indivíduos, por conta do longo período de tempo sem contato com o estudo, encontram-se desmotivados e inseguros, de acordo com a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, algo que prejudica sua construção intelectual. Com isso, faz-se necessária ação para mitigar a problemática.

Depreende-se, portanto, que o EJA está atrelado ao contexto da Educação Básica e, desse modo, medidas devem ser tomadas. Para isso, é imperativo do Estado, em conjunto com o Ministério da Educação, maior investimento no ensino público brasileiro, por intermédio da construção de novas unidades de ensino, como escolas e pré-escolas, investimento na formação qualificada de professores, os quais se dedicariam não apenas à formação intelectual, mas também à formação humana e social do aluno, além de incentivar projetos e discussões dinâmicos em sala de aula, a fim de diminuir a evasão escolar e, concomitantemente, a dependência do EJA na formação individual. Além do mais, o governo deve ampliar a rede de escolas que oferecem o ensino de jovens e adultos, por conta da grande demanda, até que a situação de evasão escolar no ensino público seja amenizada. Quiçá, dessa maneira, o futuro tornar-se-á provido de real ordem e progresso.