Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 12/01/2021
Sob a ótica do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, “a violência é sempre uma derrota, seja qual for a maneira como ela se manifesta”. Com efeito, percebe-se que a oferta precária da Educação de Jovens e Adultos (EJA) remete à premissa de Sartre, uma vez que representa uma violência contra o direito constitucional de educação. Nesse contexto, faz-se urgente avaliar e reflexão da educação na seara laboral.
Nessa perspectiva, é válido postular que, de acordo com o censo realizado pela Secretaria do Tesouro Nacional, as despesas do governo com educação vêm registrando queda nos últimos anos. Como consequência, a instauração de programas de educação para jovens e adultos é impossibilitada, visto que não há verbas suficientes para suprir os gastos das instituições de ensino. Dessa forma, conclui-se que indivíduos que não possuíram uma educação convencional e plena são impedidos de retomar aos estudos e elevar sua qualidade de vida devido à negligência do governo para com a seara educacional.
Por conseguinte, deve-se avaliar que o mercado de trabalho atual exige profissionais altamente qualificados devido à inserção da tecnologia avançada no processo produtivo e à complexificação das relações sociais e trabalhistas. À vista disso, infere-se que o modal de ensino EJA é essencial para ampliar a possibilidade de inserção de jovens e adultos que não frequentaram a escola de forma convencional no mercado de trabalho atual. Certamente, o economista britânico William Arthur Lewis afirma que a educação não é uma despesa, mas sim um investimento com retorno garantido. Percebe-se, dessa maneira, que o Estado deve investir na educação de jovens e adultos para que, posteriormente, o retorno desse investimento seja refletido nos altos índices da População Economicamente Ativa e do o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.
É mister, portanto, buscar soluções para ampliar a oferta do EJA. Para tanto, urge que o Governo Federal amplie o orçamento da área educacional, por meio de verbas governamentais, objetivando possibilitar a instauração da Educação de Jovens e Adultos e, desse modo, inserir indivíduos anteriormente não educados no mercado de trabalho, aumentando sua autoestima e autonomia. Ademais, é imprescindível que, para que todos tenham acesso ao EJA, independentemente da região em que vivem, tais programas de ensino sejam oferecidos nas plataformas virtuais com eficiência. Assim sendo, a violência contra a educação, citada por Sartre, será erradicada do Brasil.