Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 14/01/2021

Na obra “O triste fim de Policarpo Quarema” - escrito por Lima Barreto - o protagonista Major Quaresma tem como caraterística marcante um nacionalismo ufanista, no qual acredita em um Brasil utópico. Fora da ficção, os desafios na educação de alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos) torna o país distante do imaginado pelo personagem. Tal problema se dar pelo baixo investimento na modalidade, o que acarreta na má formação educacional desses indivíduos. Sendo assim, é necessário discutir as consequências e causas do problema.

Em primeira análise, é válido ressaltar os impactos sociais ocasionados por esse impasse. Embora a Constituição Federal de 1988 garanta acesso a educação para todos os brasileiros, não é o ocorre de fato, visto que - segundo o portal G1 - apesar do Brasil ter cerca de 40 milhões de adultos sem diploma, houve uma alarmante queda de 34% nas escolas que oferecem EJA. Neste sentido, é notório que esses individuos estão sendo segregados do âmbito escolar e, por conseguinte, do concorrido mercado de trabalho que exige cada vez mais uma formação básica. Logo, o direito estabelecido na Carta Magna não é respeitado.

Outrossim, diversos problemas dificultam a resolução desse impasse. Sob esse viés, é proveitoso lembrar o conceito de Instituição Zumbi cunhado por Zymunt Bauman - sociólogo polonês - o qual define estas como instituições que não desempenham seu papel efetivamente. É indubitável que a teoria se comprova correta quando a maior parte das escolas não conseguem oferecer dispositivos eletrônicos e aulas de informática para os alunos do EJA que optam pelo o ensino na modalidade virtual. Ademais, o baixo investimento nesse setor da educação impossibilita que ocorra apoio financeiro aos discentes que não podem se dedicar exclusivamente aos estudos, pois necessitam trabalhar para sua subsistência.

Portanto, para que o Brasil fique próximo da visão utópica do Policarpo Quaresma, medidas governamentais devem ser tomadas no EJA. Cabe ao MEC criar um “bolsa auxilio” aos estudantes dessa modalidade, por meio de um projeto de lei que deve ser enviado a Câmera de Deputados. Nele deve constar a obrigatoriedade de um auxilio mensal e compra de dispositivos eletrônicos para os estudantes em vulnerabilidade socieconômica. Esta iniciativa teria como finalidade não só ajudar os discentes que trabalham, mas também aqueles que não possuem um computador em casa e são da modalidade online. Além disso, é fundamental que as escolas disponibilizem aulas de informática aos alunos que sentem dificuldade em utilizar os dispositivos para que assim os desafios do EJA sejam vencidos.