Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 11/01/2021
Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e os desafios da modalidade de ensino EJA no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar a educação de jovens e adultos que envolvem essa questão no país.
De antemão, vê-se que o Poder Público se mostra negligente ao não conscientizar os adolescentes sobre a importância da conclusão do ensino básico. Isso porque, com essa medida, um jovem pode ter interesse de abandonar o ambiente escolar. Contudo, entender que essa ação pode comprometer a ingressão no mercado de trabalho tende a se apresentar como elemento e inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).
Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante os desafios da modalidade de ensino EJA. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da população ao não lutar por investimento financeiro estatal, visto que, faltam verbas destinas à capacitação de professores com o intuito de auxiliar os adultos no processo de aprendizagem, comprometendo, dessa forma, o direito à educação deles. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, prejudicando, desse modo, o senso crítico destes.
Constata-se, finalmente, que os desafios da modalidade de ensino EJA devem ser solucionados. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização, priorizando palestras ministradas por profissionais da educação em praças públicas, com o objetivo de incentivar os jovens a frequentarem o âmbito escolar e conseguirem adentrar no mercado de trabalho com mais facilidade. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas promovidas por organizações não governamentais, a fim de que as dificuldades dessa categoria de ensino não sejam banalizadas, o que pode ser potencializado por intermédio do Ministério da Educação com o investimento financeiro em cursos de capacitação dos professores, objetivando, com isso, facilitar a aprendizagem dos adultos. Desse modo, assim como na obra “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo e superação desse impasse.