Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 11/01/2021

Em um episódio de “Os Treze Porquês”, da Netflix, é retratada as dificuldades enfrentadas por um jovem que resolveu deixar a escola e após um tempo resolveu tentar reintegrar-se ao reensino. Fora da ficção, o que foi descrito na obra relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: os desafios da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Desse modo, urge a necessidade de atentar-se a como a insipiência estatal e o meio social fomentam a problemática.

Primeiramente, há de se constatar a displicência governamental. Precipuamente, no livro “Cidadão de Papel”, do Gilberto Dimenstein, é dito que as leis efetivas se encontram majoritariamente na teoria. Outrossim, ao analisar a carência de políticas públicas disponibilizadas pelo governo a fim de realizar a educação das pessoas, o que consequentemente levaria a uma redução das dificuldades enfrentadas pelo EJA, é perceptível que esse imbróglio se relaciona com as palavras do autor. Dessa forma, há de constatar que, infelizmente, a problemática fere os princípios normativos da Constituição federal de 1988 e causa o recrudescimento do cenário em que muitas pessoas não serão educadas.

Ademais, vale ressaltar as interações sociais como agravante desse quadro. Além disso, de acordo com Heidegger, filósofo alemão, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, as pessoas ao conviverem em um meio social em que a educação tardia, como o EJA, é menosprezada, podem acabar por tratarem com descaso tal forma ensino e criarem resistência em relação aos diversos mecanismos de educação. Nesse viés, o número de escolas que disponibilizavam o EJA diminuiu em mais de 30% nos últimos dez anos, conforme o site G1. Desse modo, confirma-se, lamentavelmente, que o meio social influi mais dificuldades em relação ao EJA.

Destarte, medidas fazem-se relevantes para mitigar as dificuldades relacionadas ao EJA. Portanto, cabe ao Ministério da Educação e às mídias e dentro das escolas, instituir projetos como o “Valorizando a Educação entre Jovens e Adultos”, responsável por reeducar socialmente os estudantes e suas famílias. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e alunos que já realizaram o EJA, a fim de expor, debater e combater as consequências de não obter uma educação. Assim, será possível distanciar-se-á do hediondo cenário apresentado pela Netflix.