Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 14/01/2021

“É um direito social a educação”. Essa afirmação está prevista no Artigo 6º da Constituição e pode ser facilmente confrontada com os desafios da modalidade do ensino Eja, uma vez que elas se contradizem. Tal realidade é fruto inegável dos moldes capitalistas, os quais não buscam solucionar problemas sociais por não obterem lucro a partir desse processo. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar esse quadro, pode-se destacar a visão do Estado de que a educação é uma mercadoria e a manutenção de um poder que negligência essa conduta.

Em primeira análise, é importante reconhecer que a precariedade da educação escolar, somada à mentalidade capitalista, agrava as dificuldades que o ensino Eja apresenta. Esse panorama é decorrente de um governo que não visa o ensino como um investimento social. Dessa atividade resulta na menor contribuição orçamentária na área educacional voltada a jovens e adultos, visto que existe uma crença governamental equivocada de que esses estudantes não se relacionam diretamente com o futuro gerador de renda do indivíduo. Essa realidade pode ser exemplificada pelo escritor Millor Fernandes, para quem “o dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra qualquer um”, comprovando que o objetivo do Estado não é o bem estar da nação, e sim uma lucratividade maior.

Além disso, é importante observar que a manutenção de um poder que negligência essa problemática, aliada à mentalidade capitalista, resulta nos desafios que o sistema de ensino Eja contém. Isso se dá, sobretudo, porque a falta de um ensino básico expõe essa parcela da população a um contexto de exploração que os torna refém dos setores sociais de domínio, visto que além comporem a camada economicamente pobre da sociedade, eles também são aqueles que ocuparam os exploratórios cargos dos subempregos em condições análogas à escravidão, fato que não só aprofunda a marginalização, como também impede a conquista da dignidade cidadã para esses sujeitos. Essa realidade atua em paralelo com a teoria da violência simbólica, cunhada pelo sociólogo Pierre Bourdieu que remete às violações à dignidade dos indivíduos por meio de artifícios de opressão, tais como a permanência dos altos índices de ensino médio incompleto, a fim de beneficiar determinados setores de domínio interpessoal como os que se beneficiam com os subempregos.

Diante do exposto, é importante perceber que as dificuldades do ensino Eja têm origem no avanço capitalista da sociedade. Portanto, cabe ao Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Educação, destine verbas para o investimento a modalidade da educação EJa, por meio da inclusão desse objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias, com o intuito de incentivar jovens e adultos na conclusão do ensino médio.