Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 09/01/2021

No filme “Mãos Talentosas”, o protagonista, inicialmente, com défict de desempenho escolar supera posição social adversa por intermédio do estudo. Contudo, no Brasil, milhões de brasileiros não têm o mesmo êxito. Nesse sentido, convém analisar a deficitária modalidade de ensino EJA (Educação de Jovens e Adultos), sobretudo, quanto ao papel do Estado e à persistência da dominação social subliminar.

Em primeiro plano, o artigo 205 da Constituição de 88 responsabiliza o estado pela educação para exercício da cidadania. Todavia, dados do portal G1 quantificam entre 30 e 40 milhões de brasileiros sem diploma. Sob esse prisma, para o geógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida que os direitos são universais. Dessa maneira, é necessário que o Estado promova a todos a modalidade de ensino EJA.

Outrossim, Pierre de Bourdieu afirma que a escola é um campo que reproduz o capital cultural dominante. Nessa perspectiva, a Educação de Jovens e Adultos desvalorizada reflete a violência simbólica, uma vez que impõe aos grupos sociais menos favorecidos condições inferiores de combate ao estruturalismo social. Com isso, indivíduos tendem a ocupar os postos de trabalho menos qualificados e de menor remuneração. Desse modo, é imperativo que a finalidade dessa educação seja inclusiva e, consequentemente, preze pela excelência de ensino.

Logo, medidas concretas são necessárias mitigar a problemática. Para tanto, o governo federal, por meio de seus institutos técnicos - centros educacionais renomados que detêm corpo técnico qualificado-, deve criar cursos de Educação de Jovens e Adultos, a fim expandir a disponibilidades de vagas no país. Ao passo que, para aumentar a capilaridade de atuação, as secretarias estaduais de educação têm que expandir cursos dessa modalidade de ensino, porém, à distância. Dessa forma, será possível reverter o descaso e a segregação dos jovens e adultos com atraso na formação.