Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 22/07/2022

A Constituição Federal de 1988 assegura a educação como direito de todos visando o pleno desenvolvimento da pessoa. Entretanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que a realidade educacional brasileira agravou-se consideravelmente após o início da pandemia de COVID-19. Nessa problemática, destacam-se o atraso na alfabetização de crianças e a disparidade existente entre o ensino público e o privado no Brasil.

Em primeiro lugar, vale destacar a teoria do psicólogo Jean Piaget, na qual o desenvolvimento cognitivo do ser humano é dividido em fases que acompanham a sua maturação biológica. Nesse sentido, torna-se mais preocupante o retardo na alfabetização das crianças no ensino básico, já que, segundo Piaget, a idade ideal para tal processo é de 7 anos. Esse panorama inquietante aconteceu devido ao fechamento das escolas durante a pandemia, o que gerou um entrave não apenas ao encadeamento dos conteúdos escolares — visto que a alfabetização é primordial — como também representa um bloqueio ao pleno desenvolvimento da pessoa tencionado na Constituição.

Em segundo lugar, é essencial ressaltar que a pandemia ampliou a discrepância existente entre as escolas públicas e as privadas no país. Nesse viés, a pesquisa realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) é significativa, pois mostrou que apenas 42% das classes D e E estão conectadas no Brasil. Desse modo, constata-se que a maioria dos estudantes economicamente vulneráveis não tiveram acesso à educação em contexto pandêmico, uma vez que as aulas foram oferecidas de forma remota. Assim, fica evidente que esses indivíduos não receberam a mesma formação que alunos de classes mais altas, para os quais é possível adquirir os recursos digitais necessários para estudar nessa situação.

Diante do que foi exposto, é preciso que o Ministério da Educação desenvolva programas de reforço escolar, com a identificação de dificuldades aprendizagem por meio apoio psicopedagógico, a fim de auxiliar na alfabetização de crianças. Paralelamente, é necessário que o Governo Federal conceba um programa social com o intuito de ampliar o acesso à internet das pessoas de classes D e E. Dessa forma, será possível a efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.