Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 08/01/2021
No livro ’’ Quarto de despejo’’ da Carolina Maria de Jesus, há o relato de uma cidadã brasileira que se sente totalmente à margem do acesso à cidadania. Carolina escreve em cadernos encontrados no lixo e procura através da educação se emancipar da fome. Igualmente, há milhões de cidadãos excluídos do processo educacional, e no contexto da pandemia, viram-se isolados em casa, sem acesso à internet e muitas vezes optando pela subsistência ao invés da educação, porque afinal, a fome não espera.
Em primeira análise, deve-se destacar os dados do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada-; no Brasil, apenas 42% das classes D e E estão conectadas à internet, e desse número, 70% estão localizados na região urbana. Em outras palavras, as classes mais baixas estão inseridas em cenários onde não há cidadania plena. Com o início da pandemia a educação se digitalizou, porém, não houve a digitalização desse lares e nenhuma medida governamental para transformar esse cenário.
Além disso, ocorreram grandes perdas materias com a pandemia, e quem mais sentiu o impacto foram as classes mais carentes ,e não por ironia do destino, as que mais se veem marginalizadas no processo educacional. É evidente que um grupo que já não possui grandes incentivos para investir em educação, e que se vê, de uma hora para outra com a renda familiar reduzida, opte pela evasão do ensino. Dados do DataFolha mostram que a evasão escolar na pandemia chegou ao alarmante número de 38%.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. O Ministério das Comunicações em conjunto com empresas estatais e privadas devem fazer um plano de políticas nacionais visando à inclusão digital. Isso deve ser feito garantindo o acesso e reduzindo o custo para as classes carentes, com o intuito que a porcentagem de 42% de acesso passe a ser maior. Além disso, alongar o Auxílio Emergencial enquanto for necessário, esse valor fará com que os alunos estudem com mais tranquilidade e mais distantes do cenário de escassez e pobreza de Maria Carolina de Jesus.