Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 25/10/2020
Segundo a Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, a pandemia COVID-19 criou a maior interrupção dos sistemas de educação na história, afetando 1,6 bilhão de alunos no mundo. No Brasil, a crise que acentua as disparidades pré-existentes nas populações mais vulneráveis, certifica que superar a exclusão digital configura-se em peça fundamental para minimizar esse hiato. Fato que exige ampla mobilização de todos para apoiar tal cenário de esperança.
Inicialmente, a pandemia escancarou a urgência em se corrigir o chamado apartheid digital. Conforme o INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 40 milhões de alunos estavam matriculados em escolas públicas, em 2020. Por outro lado, uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil aponta que 39% dos domicílios brasileiros não têm acesso a internet. Portanto, um contingente de milhões de educandos enfrentam barreiras tecnológicas inaceitáveis.
Outro desafio requer ação urgente para prevenir que a crise na educação não se torne uma catástrofe geracional. É que soluções digitais precisam de conteúdos eficazes e ambiente de aprendizagem favorável. De acordo com Paulo Freire “ Mudar é difícil mas é possível.” A frase do pedagogo mostra que educação não pode ser construída fora do espaço pedagógico e fora das relações humanas entre professores e alunos.
Por tudo isso, é imperativo que o Congresso Nacional garanta a vinculação institucional das receitas da educação, complementadas a cada ciclo de planejamento, com alocação de verba da LOA - Lei Orçamentária Anual - junto ao Ministério da Educação, em caráter impositivo e não apenas autorizativo. As famílias mais vulneráveis devem auferir auxílio pecuniário e, em caráter de comodato, receber instrumentos de informática, para que todos os alunos acessem às atividade em ambientes virtuais. Ademais, deve-se garantir aos professores benefícios pecuniários e formação pedagógica para atuação nessa nova plataforma. Assim, as consequências da pandemia sobre a educação serão minimizadas.