Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 21/10/2020

Segundo a Constituição federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à educação e à igualdade. Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que há impactos da pandemia na educação. Nesse sentido, é importante analisar que parte da população tem suas garantias constitucionais violadas, o que é consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, as quais dificultam a atenuação do problema.

Em primeiro plano, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, na garantia de acesso à educação para todos os estudantes da rede de ensino público. Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, com o intuito de atingir o equilíbrio social. Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não cria projetos eficazes no fornecimento de internet gratuita e de qualidade para os alunos que vivem em locais onde não há essa tecnologia ou ela é precária, como em algumas áreas rurais. Logo, a escassez dessa ação colabora para o aumento da desigualdade, já que o isolamento social acarreta na necessidade de aulas virtuais e exclui a parcela da população que não consegue utilizar esse recurso.

Ademais, os impactos da pandemia na educação podem ter relação com indivíduos pouco autossuficientes em estudar, ao passo que algumas instituições de ensino demonstram-se ineficientes em estimular uma independência cognitiva na aprendizagem do estudante. Acerca disso, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver uma escolaridade marcada por uma ética transcultural e inclusiva. Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, um senso crítico capaz de organizar horários destinados ao estudo e a planejar adequadamente o conteúdo escolar a ser visto. Portanto, em função da baixa escolarização e do despreparo ao isolamento social, parte da população sofre com uma educação deficitária e com a falta de orientação, o que prejudica a saúde mental dessas pessoas.

Em conclusão, é responsabilidade do Estado, mediante o cumprimento de seus deveres previstos na Carta Magna, desenvolver medidas capazes de atenuar a problemática. Destarte, é dever do Ministério da Educação, por meio do financiamento de empresas de tecnologia, construir redes de “wi-fi” gratuitas nos bairros em que há um grande número de estudantes de escola pública que não possuem acesso a esse recurso, como em áreas rurais ou periferias marginalizadas. Desse modo, os impactos da pandemia na educação brasileira serão reduzidos, visto que uma maior quantidade de alunos irá dispor de internet e oportunidade de acompanhar um ensino remoto.